11 de maio de 2026

Parece uma observação geográfica banal. Mas quando você começa a entender o que significa ser uma ilha do ponto de vista econômico e imobiliário, o mercado de Florianópolis passa a fazer muito mais sentido, e a escassez deixa de ser um detalhe e vira o argumento central.


O que a geografia tem a ver com o preço do metro quadrado

Em mercados imobiliários, o preço é determinado pelo encontro entre oferta e demanda. Quando a demanda cresce, os preços sobem. Quando a oferta também cresce, novos terrenos, novos loteamentos, novos bairros, e o efeito da demanda é amortecido.

Florianópolis não tem esse amortecedor.

A cidade está construída sobre uma ilha com 675 km² de área total. Desse total, uma parte significativa é área de preservação permanente, restinga, manguezal, encostas de morros, que não pode ser ocupada. O que sobra para construção é finito. Não existe uma nova faixa de terra surgindo no horizonte. Não existe expansão para além da água.

Isso cria o que os economistas chamam de oferta inelástica: por mais que a demanda cresça, a oferta não consegue acompanhar no mesmo ritmo. E quando isso acontece de forma estrutural, não como um detalhe de curto prazo, mas como uma característica permanente do lugar, o resultado nos preços é consistente e de longo prazo.


O que acontece quando ilha encontra alta demanda

Pense em outros mercados que passaram por crescimento acelerado de demanda.

Manhattan é uma ilha. O preço do metro quadrado lá não tem teto visível porque a terra é literalmente limitada e a demanda global é crescente. Lisboa está numa península com acesso ao mar limitado, nos últimos dez anos, tornou-se um dos mercados imobiliários mais valorizados da Europa, em parte pela demanda internacional e em parte pela escassez de imóveis de qualidade em localizações privilegiadas. Miami Beach é uma ilha artificial, e tem alguns dos imóveis mais caros dos Estados Unidos.

O padrão é claro: quando um lugar é geograficamente limitado e passa a atrair demanda qualificada de fora, os preços se movem em uma direção só.

Florianópolis está nesse caminho. Não como especulação, como dinâmica em curso.


A escassez em Jurerê Internacional é ainda mais específica

Dentro de Florianópolis, Jurerê Internacional representa um recorte ainda mais restrito.

O bairro foi planejado com lotes amplos, gabarito controlado e vocação residencial de alto padrão. Isso significa que, ao contrário de outros bairros onde a verticalização pode ampliar a oferta, mais andares, mais apartamentos no mesmo terreno, em Jurerê a densidade construtiva é deliberadamente contida.

Os imóveis de alto padrão disponíveis no bairro são poucos. Os que aparecem no mercado raramente ficam por muito tempo. E os novos empreendimentos que surgem entram com preços que refletem exatamente essa escassez.

Segundo dados do Loft referentes ao quarto trimestre de 2025, o metro quadrado em imóveis acima de 125m² em Jurerê Internacional chegou a R$ 25.136, uma valorização superior a 50% em 12 meses. Não é um número isolado. É o reflexo de um mercado onde a oferta não consegue acompanhar o crescimento da demanda.


A diferença entre escassez real e escassez artificial

Vale fazer uma distinção importante.

Existem mercados onde os preços sobem por escassez artificial, a especulação, retenção de imóveis, falta de licenças de construção que poderiam ser concedidas. Esse tipo de escassez é reversível. Uma mudança de regulação, um ciclo econômico diferente, e a oferta se expande.

A escassez de Florianópolis não é artificial. Ninguém está retendo terrenos para valorizar o mercado. A terra simplesmente não existe além do que já existe. A praia não vai crescer. O morro não vai recuar. A ilha não vai expandir.

Essa distinção importa para quem está pensando em investimento de longo prazo. Riscos regulatórios existem em qualquer mercado. Mas o risco de que Florianópolis de repente tenha mais terra disponível para construção de alto padrão à beira-mar é, na prática, zero.


O que isso significa para quem está considerando comprar

Não significa que qualquer imóvel em Florianópolis vai se valorizar automaticamente. Localização específica, qualidade de construção, gestão do imóvel e perfil do empreendimento continuam sendo variáveis determinantes.

O que a escassez estrutural garante é o piso, uma base de sustentação para o valor dos imóveis que mercados com oferta elástica simplesmente não têm. Em cidades onde novos bairros podem surgir, onde terrenos baratos estão disponíveis na periferia, o imóvel valorizado hoje pode perder atratividade amanhã diante de novas opções. Em Florianópolis, especialmente em Jurerê Internacional, esse competidor simplesmente não vai aparecer.

Para o comprador que está buscando moradia definitiva, isso significa estabilidade. Para o investidor, significa proteção contra a desvalorização. Para quem ainda está em dúvida, significa que esperar tem um custo, porque o imóvel disponível hoje pode não estar disponível amanhã, e o próximo similar vai custar mais.


Uma observação final

Escrevi esse texto a partir de dados públicos e da dinâmica que observo no mercado de Florianópolis no dia a dia. Não sou geógrafo nem economista, sou corretor de imóveis aqui na cidade, e o que me motivou a escrever foi exatamente a frequência com que essa questão da escassez aparece nas conversas com pessoas que estão considerando comprar.

A maioria não tinha parado para pensar no que significa o fato de Florianópolis ser uma ilha. Quando para, o raciocínio costuma se clarear bastante.

Se você está nesse processo de reflexão e quer conversar sobre o mercado sem compromisso, me chama. Estou aqui para ajudar a decisão a fazer mais sentido.


Cristian Thume — Corretor de Imóveis em Florianópolis CRECI/SC 74.589-F @cristian.thume · cristianthume.com.br WhatsApp: (48) 99154-5904

"O verdadeiro luxo é viver bem."

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