Como montar um portfólio imobiliário em Florianópolis, a lógica de combinar ativo de renda com ativo

31 de maio de 2026

Quem pensa em portfólio, mesmo que pequeno, mesmo que seja dois ativos, toma uma decisão qualitativa diferente: não está comprando um imóvel, está construindo uma estrutura. E estruturas bem montadas resistem melhor a ciclos, geram renda mais previsível e acumulam patrimônio com mais consistência.

A pergunta certa não é "qual é o melhor imóvel para comprar em Floripa?". É: "quais ativos, combinados, fazem mais sentido para o que quero construir?"

A distinção que muda tudo: renda vs. valorização

Todo imóvel pode gerar renda e valorizar. Mas cada ativo tem um perfil dominante e confundir os dois leva a decisões que frustram o investidor.

Ativo de renda é aquele cuja principal função é gerar fluxo de caixa previsível e constante. O retorno vem principalmente do aluguel, não do ganho de capital. O critério de seleção prioritário é: taxa de ocupação alta, inquilino com baixo risco de vacância, localização que garante demanda independente de ciclo.

Ativo de valorização é aquele cuja principal função é acumular capital ao longo do tempo. O retorno vem principalmente da diferença entre o preço de compra e o preço de venda futura, ou do valor intrínseco que o imóvel acumula enquanto o mercado o precifica melhor. O critério de seleção prioritário é: bairro em trajetória ascendente, produto escasso, localização com catalisadores de valorização identificáveis.

Na prática, os melhores portfólios combinam os dois porque cada tipo protege o investidor de um risco diferente.

O ativo de renda paga as contas durante a espera. O ativo de valorização multiplica o patrimônio no longo prazo. Juntos, eles criam o que gestores profissionais chamam de total return ou retorno total, somando income e ganho de capital.

O que Floripa oferece em cada categoria

Poucas cidades brasileiras têm, dentro dos seus próprios limites geográficos, opções tão diversas nos dois perfis. Isso torna Florianópolis um caso raro, dá para montar um portfólio diversificado sem sair da ilha.

Ativos de renda: onde buscar

Studios universitários na região da UFSC: Trindade, Carvoeira, Pantanal, Córrego Grande. O FipeZAP aponta rentabilidade média de 6,72% ao ano para imóveis de 1 dormitório em Florianópolis. (Fonte: Beco Castelo · Ago/2025) Demanda estrutural de 40.000 pessoas no campus. Taxa de ocupação de contratos anuais acima de 85% em bairros bem localizados. Risco de vacância baixo porque a UFSC não fecha. Ticket de entrada menor studios a partir de R$ 350.000 a 450.000 na região. Yield real próximo de 5,5% a 6,5% dependendo do imóvel e da gestão.

Locação anual no Centro e Agronômica. Aluguel médio de R$ 1.664/mês para studios e R$ 5.220/mês para 1 quarto no Centro. Perfil mais linear ao longo do ano, menos sazonalidade que as praias. Locatário de perfil profissional: menor inadimplência e maior permanência média.

Short stay curado em bairros de demanda perene. Floripa tem a maior taxa de ocupação mediana de Airbnb entre as principais cidades brasileiras: 57%. Imóveis no Centro geram rentabilidade bruta estimada entre 10% e 18% ao ano, com o pico concentrado entre dezembro e março, mas com fluxo relevante nos eventos fora de temporada.

Ativos de valorização: onde buscar

Campeche e Novo Campeche. Bairro em transformação acelerada. Novos empreendimentos de alto padrão chegando: La Mare (CFL), Nautic (Long View), Makai Campeche (Di Leone), Óppera Smart Life (Archia). Infraestrutura crescendo. Acesso ao aeroporto facilitado. Preço ainda abaixo dos bairros consolidados do norte da ilha. Potencial de valorização percentual maior do que em mercados já precificados.

Bairros em requalificação: Morro das Pedras, Ingleses, Canasvieiras. O padrão construtivo subindo. Para o horizonte 2026–2030, os catalisadores do norte da ilha, Contorno Viário Norte, Parque Sapiens e ampliação do aeroporto, apontam para Ingleses, Canasvieiras e Jurerê como os mercados com maior upside documentado.

Planta em bairros consolidados. A alavancagem é o mecanismo mais importante para entender por que imóvel financiado pode gerar retorno sobre o capital próprio muito superior ao imóvel comprado à vista. O imóvel valoriza sobre o valor total, mas o retorno incide sobre o capital próprio investido, criando um efeito multiplicador. Comprar na planta em bairro certo captura valorização durante a obra e chega ao mercado de revenda com um ativo já ajustado ao novo patamar de preço.

A lógica da combinação, três modelos práticos

Não existe uma fórmula única. Mas existem combinações que fazem sentido para perfis diferentes.

Modelo 1 — Renda + segurança patrimonial Um studio universitário na Trindade (renda anual previsível, baixa vacância, ticket de entrada R$ 400–480k) combinado com um apartamento de 2 quartos em bairro consolidado como Lagoa da Conceição ou João Paulo (patrimônio sólido, valorização consistente, liquidez para revenda).

O studio paga as contas. O apartamento acumula valor. O portfólio todo nunca fica totalmente dependente de nenhum dos dois.

Modelo 2 — Renda imediata + potencial de crescimento Um apartamento compacto no Centro ou Trindade para locação anual (renda estável, menor sazonalidade) combinado com uma unidade na planta no Campeche ou Morro das Pedras (potencial de valorização durante a obra, entrega com ativo em novo patamar de mercado).

A locação anual financia parte do custo de oportunidade da espera na planta.

Modelo 3 — Short stay premium + ativo escasso Um apartamento de 2 dormitórios bem localizado em bairro de praia para short stay (maior yield bruto, captura o pico do verão e os eventos de baixa temporada) combinado com terreno ou imóvel em bairro com restrição de nova oferta, como Cacupé ou Santo Antônio de Lisboa, onde a escassez estrutural protege o valor independente de ciclo.

O que o investidor mais frequentemente erra

Dois erros recorrentes em quem monta portfólio imobiliário em Floripa:

Primeiro: superestimar o yield bruto do short stay. A rentabilidade bruta de 10% a 18% é real, mas é bruta. Descontando taxa de plataforma (de 3% a 5%), taxa de administração de property manager (de 15% a 25% sobre a receita), manutenção, limpeza, IPTU e condomínio, o yield líquido cai significativamente. O investidor que compra imóvel de praia projetando 15% ao ano e não faz esse desconto toma uma decisão baseada num número que não existe.

Segundo: ignorar a liquidez diferente de cada ativo. A regra de bolso para imóvel em Floripa: a valorização é a variável determinante do retorno total. O aluguel e o yield têm papel secundário. Por isso, a escolha do bairro e o timing de compra importam mais do que otimizar a taxa de aluguel. (Fonte: Regente Imóveis · 2025) Imóvel de valorização mal escolhido, bairro sem catalisador, produto sem diferencial, pode gerar yield razoável e não valorizar nada. Nesse caso, você teve renda mas perdeu o principal argumento de estar no imóvel em vez da renda fixa.

Uma observação honesta

Portfólio imobiliário em Floripa não é estratégia para quem precisa de liquidez rápida. Imóvel tem custo de transação alto: ITBI, escritura, comissão, e o ciclo de compra e venda leva meses. Quem entra pensando em sair em dois anos raramente sai com retorno satisfatório.

O horizonte mínimo para que a combinação renda + valorização faça sentido econômico em Floripa é de 5 a 7 anos. Em bairros em requalificação, pode ser mais. Em bairros consolidados, pode ser menos mas o ticket de entrada é mais alto.

A diversificação dentro da mesma cidade não elimina o risco de mercado, se Floripa desacelerar, os dois ativos desaceleram juntos. O que ela faz é reduzir o risco específico de cada ativo, combinando perfis de retorno complementares.

Se você está montando ou revisando uma estratégia de investimento imobiliário em Floripa, será um prazer conversar com você!

Cristian Thume — Corretor de Imóveis em Florianópolis CRECI/SC 74.589-F · @cristian.thume · cristianthume.com.br · WhatsApp: (48) 99154-5904

"O verdadeiro luxo é viver bem."

Fontes citadas: FipeZAP jan e ago/2025 · Beco Castelo ago/2025 ·

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Florianópolis e o Airbnb: o que os dados globais da plataforma revelam sobre a ilha

30 de maio de 2026

Quando a maior plataforma de hospedagem do mundo seleciona 25 destinos globais em alta para o ano, e coloca uma capital brasileira do sul do país ao lado de Tóquio, Palermo, Sevilha e Houston, isso merece atenção.

As cidades de Florianópolis e Brasília estiveram entre os 25 destinos globais em alta para se viajar em 2025, segundo pesquisa do Airbnb com base em dados internos sobre o aumento de buscas na plataforma. A companhia analisou pesquisas feitas entre o primeiro e terceiro trimestre de 2024 para check-ins em 2025 e comparou com buscas feitas no mesmo período de 2023. (Fonte: CNN Brasil · Jan/2025)

Floripa não entrou nessa lista por acaso. E entender por que ela está lá diz muito sobre o que está acontecendo com o mercado imobiliário da ilha.

O número que mais surpreende

Antes de qualquer análise sobre bairros e diárias, existe um dado que poucos conhecem e que contextualiza tudo:

Em 2024, segundo estudo da Fundação Getulio Vargas encomendado pela plataforma Airbnb, a atividade movimentou R$ 4,7 bilhões na capital catarinense, adicionou R$ 2,6 bilhões ao PIB municipal e sustentou 29,1 mil empregos em 2024. (Fonte: Airbnb · FGV · Nov/2025)

Para dimensionar: Florianópolis foi responsável por 20,8% de todo o valor movimentado pelo Airbnb no Sul do Brasil, que somou R$ 22,1 bilhões. Na prática, isso significa que de cada R$ 100 gastos via plataforma na região, cerca de R$ 21 foram na capital catarinense. (Fonte: ND Mais · Nov/2025)

Uma cidade que concentra mais de um quinto do fluxo financeiro do Airbnb em toda a região Sul não é um destino sazonal de veraneio. É um polo de hospedagem estrutural, com demanda que vai muito além do dezembro ao fevereiro.

O que a plataforma enxerga que o mercado local às vezes ignora

O efeito econômico do Airbnb vai além da diária cobrada. A pesquisa da FGV mostrou que desde a reserva cada R$ 10 gastos geram R$ 52 adicionais na economia, em setores como restaurantes, transporte, comércio e lazer, confirmando que esse impacto vai muito além da hospedagem. O efeito multiplicador resultou em R$ 28,3 bilhões de renda gerada em 2024, com 57,9% desse valor concentrado em serviços e 24,8% em comércio. (Fonte: Infomoney · Out/2025)

Traduzindo para o contexto de Floripa: cada hóspede que chega via Airbnb não apenas paga pela noite: almoça no Ribeirão da Ilha, toma café em Santo Antônio de Lisboa, surfa no Campeche, faz compras no Centro. Esse fluxo é o que mantém o comércio local aquecido, nos nove meses fora do verão e sustenta a demanda permanente por imóveis na ilha.

Os números de desempenho que o investidor precisa conhecer

Florianópolis opera com 18.000 a 20.000 anúncios mantendo 57% de ocupação mediana, a maior do Brasil, gerando R$ 68 a 71 mil anuais por imóvel com diária média de R$ 342 a 352 e 208 noites reservadas por ano. (Fonte: HostnJoy · Abr/2026)

57% de ocupação mediana sendo a maior do Brasil é um dado que merece pausa. Significa que o imóvel mediano de Floripa passa mais da metade do ano ocupado, não apenas no verão. Isso diferencia a ilha de destinos como Gramado ou Caldas Novas, onde a sazonalidade é muito mais pronunciada.

No topo da performance, o cenário é mais expressivo: o top 10% dos imóveis alcança 80 a 84% de ocupação com receita equivalente a US$ 30 mil a 31 mil anuais e diárias de US$ 198 ou mais. (Fonte: HostnJoy · Abr/2026)

Por bairro, os dados de 2026 mostram variação significativa:

Jurerê Internacional lidera, com diárias médias de R$ 700 a R$ 1.200 na temporada regular e até R$ 2.000 no pico, com faturamento anual de R$ 150 a 200 mil nos imóveis mais bem posicionados. Campeche opera com diárias de R$ 350 a R$ 600, com sazonalidade mais acentuada. O Centro apresenta o perfil mais linear: sem pico dramático no verão, mas sem queda igualmente dramática na baixa temporada. (Fonte: Elisa Investimentos · Fev/2026)

A sazonalidade: o dado que o investidor não pode ignorar

Floripa tem a maior taxa de ocupação mediana do Brasil, mas isso não elimina a sazonalidade. Ela existe e é relevante, especialmente nas praias.

Os imóveis de praia têm cerca de 60% do faturamento anual concentrado nos três meses do verão e os outros 40% nos nove meses restantes. Já o centro tem um perfil mais linear, com faturamento mais constante ao longo do ano. (Fonte: Anfitriões de Aluguel · Ago/2024)

Isso tem uma implicação direta para a estratégia do investidor: imóvel de praia exige capturar receita máxima no verão: preço agressivo, imóvel impecável, avaliações positivas para aparecer bem ranqueado na alta temporada. Imóvel no centro ou próximo a polos de serviços tem receita mais previsível, mas teto mais baixo no pico.

O que está mudando a sazonalidade de Floripa

A boa notícia é que a dependência do verão está diminuindo e isso é estrutural, não circunstancial.

Florianópolis tem passado por uma transformação significativa em seu mercado de locações de curta duração. A cidade hoje é um importante polo tecnológico, já sendo chamada de "Ilha do Silício", sendo também um dos destinos preferidos dos nômades digitais. Além disso, a capital catarinense vem se consolidando como destino para eventos corporativos e esportivos, contribuindo para a redução da sazonalidade. (Fonte: Visor Notícias · Mai/2025)

O Startup Summit e o RD Summit trazem milhares de profissionais de tecnologia no segundo semestre. A Maratona de Florianópolis gera ocupação de 43% já quatro meses antes do evento. Eventos corporativos, universitários e esportivos estão preenchendo o calendário fora do verão de maneira consistente.

E há ainda o efeito nômade digital: em agosto de 2025, Florianópolis tinha 8.880 anúncios ativos e 27,8 mil camas disponíveis, crescimento de 712% em leitos desde 2023. O acordo firmado entre a Prefeitura de Florianópolis e o Airbnb em agosto de 2025 traz benefícios mútuos: o município compartilha dados sobre ocupação e fluxo turístico, enquanto o Airbnb promove a cidade como destino prioritário em campanhas globais. (Fonte: HostnJoy · Out/2025)

Uma parceria formal entre prefeitura e plataforma é sinal de que o poder público reconhece o Airbnb como pilar da economia turística, não como problema a ser regulado.

O que isso significa para quem está comprando um imóvel em Floripa

Dois cenários distintos a partir desses dados:

Para quem compra para short stay: Floripa tem o maior índice de ocupação mediana do Brasil, rentabilidade média anual de 14,3% entre 2019 e 2024, e um mercado em crescimento com demanda tanto nacional quanto internacional. O risco principal é a sazonalidade que existe, mas está sendo progressivamente reduzida pelo diversificação do calendário de eventos e pelo crescimento do público de nômades digitais.

Para quem compra para moradia ou locação anual: o volume de short stay em Floripa pressiona o mercado de locação anual para cima. Imóveis que poderiam ir para o mercado residencial anual acabam no Airbnb na alta temporada, reduzindo a oferta disponível para locação convencional. Isso sustenta os aluguéis anuais em patamares elevados, o que é bom para quem investe no modelo anual.

Uma observação honesta

O principal argumento do projeto de regulamentação do Airbnb em Florianópolis é que a presença ostensiva de imóveis oferecidos via plataforma encarece o preço do aluguel na ilha. (Fonte: ND Mais · Nov/2025)

O debate sobre regulamentação do short stay em Floripa está aberto, existe projeto de lei em tramitação na Câmara Municipal. Isso não significa que o modelo vai ser proibido, mas que as regras podem mudar. O investidor que compra pensando em Airbnb precisa acompanhar esse debate e considerar que o ambiente regulatório pode se tornar mais restritivo nos próximos anos.

Dito isso, o dado mais revelador continua sendo o acordo formal entre a Prefeitura e o Airbnb, firmado em agosto de 2025. Municípios que assinam parceria com a plataforma não estão na trajetória de proibi-la. Estão na trajetória de estruturá-la.

Se você quer entender como esses números se aplicam ao que está avaliando, seja para comprar um imóvel para short stay, para locação anual ou para uso próprio com renda no período em que não usa, será um prazer falar com você!

Cristian Thume — Corretor de Imóveis em Florianópolis CRECI/SC 74.589-F · @cristian.thume · cristianthume.com.br · WhatsApp: (48) 99154-5904

"O verdadeiro luxo é viver bem."

Fontes citadas: FGV/Airbnb nov/2025 · CNN Brasil jan/2025 · ND Mais nov/2025 · HostnJoy abr/2026 · Infomoney out/2025 · Elisa Investimentos fev/2026 · Visor Notícias mai/2025 · Anfitriões de Aluguel ago/2024 ·

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Um apartamento a 50m do mar em Jurerê Internacional por R$ 2,05M.

29 de maio de 2026

Leia de novo.

85m² privativo. 3 banheiros. 2 dormitórios (1 suíte). Totalmente mobiliado e decorado. Vista mar. Churrasqueira. Ar condicionado. Vaga privativa.

Condomínio com piscina, espaço fitness, salão de festas e rooftop.

Pronto para morar. Pronto para alugar.

Quem conhece Jurerê sabe que esse número, nesse padrão, nessa localização, é fora de curva.

Para quem pensa em investimento: Florianópolis tem uma das temporadas de verão mais disputadas do Brasil. Um imóvel assim, bem posicionado para short stay, paga parte considerável de si mesmo ao longo dos anos.

Para quem pensa em moradia: acordar a 50 metros do mar tem um preço. Raramente esse preço é esse.

Se você quer entender os números ou conhecer o imóvel, me chama. 👇

https://www.cristianthume.com.br/imovel/apartamento-florianopolis-jurere-2-quartos-1-garagem-venda-ref-14/

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