Existe um movimento silencioso acontecendo no mercado imobiliário de Florianópolis. Silencioso não porque seja pequeno, mas porque quem está comprando não costuma anunciar. Compra. Muda. E quando a cidade percebe, o mercado já foi.
Dados de 2025 mostram aumento de até 25% na busca por imóveis de alto padrão em Florianópolis, com compradores vindos principalmente do Sudeste, São Paulo e Rio de Janeiro em especial e, em proporção crescente, do exterior. A pergunta que vale responder é: o que está movendo esse fluxo? E o que ele significa para quem já está aqui ou está pensando em vir?
Não é modismo. É cálculo.
A primeira coisa que chama atenção quando você conversa com compradores que vieram de São Paulo para Florianópolis é que a decisão raramente foi impulsiva. Foi calculada. Às vezes, levou anos.
O raciocínio costuma seguir um padrão: "Estou pagando um imóvel em São Paulo que não me entrega metade do que quero em qualidade de vida. Pelo mesmo valor ou até menos consigo algo muito diferente em Floripa."
Esse cálculo tem uma lógica que os números confirmam. Um apartamento de 200m² em bairros como Itaim Bibi, Vila Nova Conceição ou Jardins pode custar entre R$ 4 e R$ 8 milhões. Pelo mesmo valor, em Jurerê Internacional, você encontra casas com piscina, área gourmet, arquitetura assinada e acesso à praia em poucos minutos. O equivalente em São Paulo entrega menos em espaço, em qualidade de vida, em relação com a natureza.
Mas o argumento vai além do preço. Vai para o estilo de vida.
O que o comprador de fora enxerga que o local às vezes não vê
Quem mora em Florianópolis há anos corre o risco de naturalizar o que tem. A praia a 20 minutos do centro. O trânsito que, mesmo crescendo, ainda não chegou ao nível das metrópoles. A segurança comparativamente alta. A natureza preservada.
O comprador que chega de São Paulo ou Rio não naturalizou nada disso. Ele enxerga tudo com clareza, e o contraste com a vida que deixou torna cada elemento mais valioso.
Essa percepção de valor é um dos motores do mercado de alto padrão de Florianópolis. Não é especulação. É a demanda de pessoas que decidiram, de forma deliberada, trocar quantidade por qualidade, e que têm renda suficiente para fazer essa troca.
Empreendimentos que refletem essa demanda
O mercado já responde a esse perfil de comprador com empreendimentos desenhados especificamente para ele.
O Oceana Jurerê, lançamento da construtora CFL em Jurerê Internacional, é o exemplo mais emblemático do momento. São seis torres residenciais, batizadas com nomes de oceanos: Atlântico, Ártico, Índico, Pacífico, Mediterrâneo e Báltico, mais uma torre de hotel boutique. A arquitetura é assinada pelo escritório americano Arquitectonica, com presença em Miami, Nova York, Los Angeles, Paris, Dubai e Hong Kong. Os apartamentos partem de R$ 7,95 milhões, e o VGV estimado do empreendimento é de R$ 1 bilhão.
Esse tipo de lançamento não surge do nada. Surge porque existe demanda qualificada, com capacidade de compra e nível de exigência que justifica esse produto. E essa demanda vem, em grande parte, de fora de Santa Catarina.
Além do Oceana, o Jurerê Tradicional, bairro adjacente ao Internacional, está passando por uma segunda onda de valorização. Grandes construtoras chegaram ao bairro com empreendimentos que rivalizam em acabamento e preço com Jurerê Internacional. A fronteira econômica entre os dois está se tornando cada vez mais tênue, criando oportunidades para quem olha para o mercado como um todo.
Bairros como Cacupé, Campeche e Lagoa da Conceição também integram esse movimento, atraindo um perfil de comprador que busca qualidade de vida sem necessariamente o ticket de entrada de Jurerê.
O comprador internacional: um fator que o mercado ainda subestima
Além do Sudeste, um terceiro grupo está crescendo em relevância: o comprador estrangeiro.
Dados da Fecomércio-SC de março de 2025 mostram que 55% dos turistas de Florianópolis são estrangeiros, com argentinos representando 82,7% desse total. Esse número de turismo tem uma tradução direta no mercado imobiliário: parte desses visitantes volta como comprador.
Para o argentino de alta renda, Florianópolis oferece algo que poucos destinos brasileiros conseguem combinar: qualidade urbana, gastronomia, praia, segurança e preços que, convertidos em dólar, ainda são competitivos em relação a equivalentes na Europa ou nos Estados Unidos.
O mesmo raciocínio começa a se aplicar a compradores europeus, especialmente portugueses, espanhóis e italianos, que enxergam no Brasil, e em Florianópolis especificamente, uma alternativa de qualidade de vida com custo menor do que seus mercados de origem.
O que esse fluxo significa para o mercado
Quando a demanda por um mercado imobiliário é geograficamente diversificada, vem de São Paulo, do Rio, da Argentina, da Europa, esse mercado se torna estruturalmente mais resiliente.
Em cidades onde a demanda é essencialmente local, uma crise econômica regional impacta diretamente os preços e o volume de transações. Florianópolis, especialmente Jurerê Internacional, opera diferente: o comprador de São Paulo não vai deixar de comprar por causa de uma crise no varejo catarinense. O comprador argentino não vai recuar diante de uma oscilação do real.
Isso não elimina riscos, nenhum mercado é imune a crises globais, mas cria uma camada de proteção que mercados dependentes de demanda local simplesmente não têm.
Por que a janela atual importa
Existe um argumento que aparece com frequência entre quem comprou em Jurerê há cinco ou dez anos e hoje olha para o que pagou: "Eu sabia que ia valorizar, mas não sabia que ia ser tanto."
O metro quadrado em Jurerê Internacional chegou a R$ 25.136 em 2025, alta de 50% em 12 meses, segundo dados da Loft. O tíquete médio de transações no bairro está em R$ 5,5 milhões. São números que mostram um mercado que já se consolidou, mas que, comparado ao que pode ser daqui a cinco ou dez anos, ainda está num estágio inicial de reconhecimento nacional.
Florianópolis ainda não chegou ao nível de visibilidade de Balneário Camboriú, que opera em outro patamar de preços e marketing. Mas está claramente no caminho de se tornar um dos mercados mais relevantes do Brasil para compradores de alto padrão. Quem está olhando agora, quando o movimento já é visível nos dados mas ainda não é mainstream, está numa posição diferente de quem vai olhar quando a narrativa já mudou.
Uma observação honesta
Não tenho como prever o futuro do mercado imobiliário de Florianópolis. O que posso fazer é apresentar os dados disponíveis, os movimentos que estão acontecendo e as dinâmicas que os sustentam, e deixar que cada pessoa faça sua própria leitura.
O que observo é que as conversas com compradores de fora de Santa Catarina têm uma qualidade específica. Essas pessoas chegam pesquisadas, sabem o que querem e estão dispostas a decidir quando encontram o que procuram.
Se você é uma dessas pessoas, ou está começando a pesquisar, me chama. Posso ajudar a transformar a pesquisa em uma decisão mais clara.
Cristian Thume — Corretor de Imóveis em Florianópolis CRECI/SC 74.589-F @cristian.thume · cristianthume.com.br WhatsApp: (48) 99154-5904
"O verdadeiro luxo é viver bem."