Existe um tipo de pessoa que o mercado imobiliário tradicional ainda não sabe bem como classificar. Ela não é turista fica meses, não dias. Não é morador permanente, pelo menos não no começo. Trabalha pelo computador, ganha em dólar ou euro, escolhe a cidade com a mesma metodologia que usaria para escolher uma startup para investir: avalia infraestrutura, comunidade, custo de vida, qualidade do ambiente.
Essa pessoa chegou em Florianópolis. E uma parte crescente dela está saindo daqui com as chaves de um imóvel na mão.
Os números que poucos conhecem
Florianópolis está cada vez mais consolidada como um dos principais destinos do mundo para quem escolheu o trabalho remoto como estilo de vida. De acordo com projeções apresentadas no Observatório Digital Nomads Florianópolis, a cidade pode receber entre 13 e 15 mil nômades digitais até 2030, com impacto econômico direto estimado em R$ 1,5 bilhão por ano. (Fonte: DashCity · Observatório Digital Nomads Florianópolis)
O levantamento mostra que, já em 2025, o número de profissionais remotos em Florianópolis deve alcançar 5.666, um crescimento de 224% em relação a 2018. A tendência acompanha os rankings globais: em 2023, a cidade foi considerada o segundo destino que mais cresceu no mundo em atração de nômades digitais nos últimos cinco anos, atrás apenas de Tirana, na Albânia. (Fonte: FloripAmanhã · Nomad List)
Para ter uma referência de escala: Florianópolis aparece à frente de Bali, Cidade do México e Lisboa nesse ranking. Não é um destino emergente. É um destino consolidado e ainda em aceleração.
Quem é esse profissional, de fato
O termo "nômade digital" carrega uma imagem romantizada: mochilão, café na praia, laptop sobre a rede. A realidade é outra.
O nômade digital pode ser um profissional liberal, um programador, designer, produtor de conteúdo ou executivo que decidiu trocar a sede do escritório por um cenário mais inspirador. Muitos estão sozinhos, outros viajam em casal ou com pets. Alguns desejam alugar por alguns meses; outros consideram comprar um imóvel como base para suas jornadas. (Fonte: CRECI-SC · Jun/2025)
O perfil dominante em Floripa, segundo o estudo da DashCity, é de profissionais de tecnologia, produto, marketing e design com permanência média próxima de um mês por estadia, mas com alta taxa de retorno. E com uma característica importante: forte arbitragem de custo de vida quando comparada a hubs como Lisboa ou Dubai. (Fonte: SC Inova · Set/2025)
Isso significa que esse profissional, que recebe em moeda forte e gasta em reais, encontra em Floripa uma cidade de padrão internacional a um custo que, para ele, é baixo. E quando alguém percebe que pode viver bem, com internet de qualidade, praia a 20 minutos e gastronomia de alto nível, por uma fração do que pagaria em Lisboa ou Miami, a pergunta natural que surge é: por que continuar alugando?
O visto que abriu a torneira internacional
Em janeiro de 2022, o Brasil regulamentou o VITEM XIV, o visto temporário para nômades digitais. O visto temporário VITEM XIV é concedido ao imigrante cuja atividade profissional pode ser realizada de forma remota. O prazo de residência inicial é de até um ano, renovável por igual período. Para obtê-lo, o profissional precisa comprovar renda mínima de US$ 1.500 por mês ou reservas de US$ 18.000. (Fonte: Ministério das Relações Exteriores · Portaria nº 428/2022)
Esse critério de renda não é baixo. Significa que o estrangeiro que chega a Floripa com esse visto tem poder de compra real, não é turista de mochila. São americanos, alemães, ingleses, franceses e suíços, entre as nacionalidades mais presentes.
Florianópolis se destaca por oferecer não apenas um ambiente propício ao trabalho remoto, mas também acomodação de luxo, com preços muito mais acessíveis em comparação a outros destinos globais. (Fonte: Luxury Home Floripa)
Essa equação padrão alto, custo comparativamente baixo, é o que transforma o visitante de médio prazo em comprador de imóvel.
De inquilino a proprietário: como acontece na prática
Um estudante de medicina, um publicitário jovem com mais de 200 mil seguidores, um estrangeiro de origem chinesa que ficou seis meses, e um brasileiro residente nos EUA que ficou na Grande Florianópolis enquanto construía casa na serra catarinense. São perfis reais documentados em empreendimentos da região que recebem esse público. (Fonte: Gazeta do Povo · Dez/2025)
O padrão é recorrente: a pessoa chega para alugar por 30, 60, 90 dias. Gosta da cidade. Volta. Na segunda ou terceira estadia, começa a fazer as contas. Percebe que o aluguel mensal que paga num apartamento mobiliado de qualidade em Floripa é menor do que pagaria numa cidade europeia ou norte-americana equivalente. E que, com o câmbio favorável, comprar um imóvel aqui representa uma fração do que custaria em seu país de origem.
O que esse público procura e o que o mercado está entregando
O nômade digital tem uma lista de critérios muito específica na escolha do imóvel. Não é a lista do comprador tradicional.
Internet de alta velocidade não é opcional, é pré-requisito. Espaço para trabalhar dentro do apartamento, sem precisar ir a coworking todo dia. Localização que reduza deslocamentos. Proximidade com opções gastronômicas, academia, natureza. E flexibilidade: imóvel mobiliado, pronto para usar, sem burocracia de montar casa.
Esses novos moradores buscam ambientes que unem tecnologia, segurança, natureza e mobilidade, elementos que fazem de Florianópolis um exemplo de cidade moderna, sustentável e global. (Fonte: Beco Castelo · Out/2025)
Não por coincidência, os empreendimentos mais recentes de Florianópolis, estão sendo desenhados com esse perfil em mente: workpods privativos dentro do condomínio, unidades entregues mobiliadas e decoradas, áreas comuns com coworking, internet de alta velocidade como infraestrutura básica do prédio. O mercado percebeu quem está chegando, e está adaptando o produto.
O que isso significa para o investidor
Existe aqui uma oportunidade de dupla leitura.
Para quem compra para morar: o nômade digital que decide fixar raízes em Floripa é um comprador de perfil diferente, com renda em moeda forte, poder de compra real e disposição a pagar por qualidade. Isso sustenta o patamar de preços em bairros como Campeche, Lagoa da Conceição, Ribeirão da Ilha e Sul da Ilha, regiões que esse público valoriza pela combinação de natureza, tranquilidade e infraestrutura.
Para quem compra para investir: o nômade digital é o locatário ideal do short stay de médio prazo, fica mais do que o turista de verão, paga mais do que o inquilino anual e tende a cuidar bem do imóvel. Um apartamento mobiliado de 50 a 80m² bem localizado, com internet rápida e espaço para trabalhar, tem demanda crescente e praticamente perene nesse perfil de cidade.
Estima-se que mais de 5.600 profissionais remotos vivam hoje na cidade, número que pode ultrapassar 15 mil até 2030, com um impacto econômico positivo de R$ 1,5 bilhão anual. (Fonte: Beco Castelo · Out/2025)
Quinze mil nômades digitais com renda em moeda estrangeira morando em Floripa não é uma projeção distante. É uma tendência em curso e a demanda que ela gera por imóvel já é real.
Uma observação honesta
Nômade digital não é sinônimo de comprador garantido. Parte significativa desse público prefere a flexibilidade do aluguel exatamente porque o modo de vida deles depende dela. E o câmbio, que hoje favorece quem ganha em moeda forte, pode mudar.
O que o dado demonstra é que existe uma demanda estrutural nova em Florianópolis, de um perfil de pessoa que o mercado imobiliário local não conhecia há dez anos. Entender quem é esse comprador, o que ele valoriza e onde ele quer estar é parte do trabalho de quem acompanha esse mercado de perto.
Se você está avaliando um imóvel em Floripa para morar, investir ou locar e quer entender como esse cenário se aplica ao que você está considerando, posso ajudar a pensar com calma.
Cristian Thume — Corretor de Imóveis em Florianópolis CRECI/SC 74.589-F · @cristian.thume · cristianthume.com.br · WhatsApp: (48) 99154-5904
"O verdadeiro luxo é viver bem."
Fontes citadas: Observatório Digital Nomads Florianópolis · DashCity · Nomad List · FloripAmanhã · CRECI-SC · Ministério das Relações Exteriores · Beco Castelo · Gazeta do Povo · Luxury Home Floripa ·