Existe um fenômeno silencioso acontecendo no norte da Ilha de Santa Catarina. Famílias russas, ucranianas, americanas e de dezenas de outros países estão cruzando oceanos com um objetivo específico: ter filhos em Florianópolis. Não em São Paulo, não no Rio. Em Floripa.
Esse fenômeno diz muito sobre o que nossa cidade representa no imaginário global. E diz ainda mais sobre o que ela oferece de concreto para quem pensa no futuro dos filhos.
O turismo de parto russo
Nenhum dado revela tanto sobre a reputação de uma cidade quanto a decisão de uma família em atravessar 11.000 km para ter um filho lá.
Florianópolis se tornou o principal destino brasileiro para o turismo de parto de famílias russas. Em 2023, ao menos 38 bebês de pais russos nasceram na capital catarinense, número que supera todos os outros destinos do país combinados: apenas 17 nascimentos foram registrados no restante do Brasil no mesmo período, com 12 deles no Rio de Janeiro.
O fenômeno não é novo, mas explodiu após 2022. Ao menos 34 bebês de pais russos nasceram em Santa Catarina na rede pública de saúde em 2022, com crescimento expressivo após o início da guerra na Ucrânia. Em janeiro de 2023 sozinho, nove mulheres russas deram à luz na Maternidade Carmela Dutra, em Florianópolis, contra apenas duas em dezembro do ano anterior.
Por que Floripa e não outra cidade? São Paulo, Rio, Paraty e Curitiba são procuradas, mas Florianópolis lidera por ser considerada mais segura. Essa é a resposta que aparece de forma consistente nos relatos das famílias: segurança. É o mesmo critério que qualquer pai ou mãe brasileiro usa para escolher onde morar.
O que essas famílias enxergam que talvez você não veja
Anastasia e Dmitrii Panin, um casal de empresários russos, visitaram o Rio de Janeiro e São Paulo antes de decidir onde ter seu filho. Eles preferiram Florianópolis por a encontrarem como "uma cidade pequena e segura". Anastasia declarou: "Eu sempre quis ter um bebê em outro país. Queria que nosso filho tivesse uma nacionalidade diferente e um passaporte forte, que abrisse mais possibilidades para ele poder estudar e trabalhar onde quisesse."
Repare na lógica dessa frase. Não é turismo. É planejamento familiar de longo prazo.
E o passaporte brasileiro é, de fato, um ativo real. O Brasil ocupa a 16ª posição no Henley Passport Index, com acesso a 170 países sem visto, segundo dados baseados na IATA. O passaporte russo, para comparar, garante acesso a menos de 120 destinos e vem perdendo mobilidade desde 2022 com o aumento de sanções internacionais.
Para uma criança nascida em Florianópolis de pais russos, a diferença prática é enorme: ela cresce com a possibilidade de estudar em universidades europeias, trabalhar em países que hoje vedam a entrada de cidadãos russos e circular pelo mundo com liberdade.
O jus soli brasileiro: uma das constituições mais generosas do mundo
O Brasil adota o princípio do jus soli: qualquer pessoa nascida em território nacional torna-se cidadã brasileira automaticamente, independente da nacionalidade dos pais. Além da cidadania para a criança, a legislação brasileira permite que os pais se naturalizem em um ano, desde que residam no país e façam uma prova de língua portuguesa.
Isso cria um efeito em cadeia. Famílias que vêm para ter um filho acabam descobrindo a cidade, se apaixonando pela qualidade de vida e ficando. Não é coincidência que agências especializadas em turismo de parto relatem que uma parcela significativa de seus clientes decide permanecer em Florianópolis após o nascimento.
Mas o que faz Floripa ser escolhida para criar, não só para nascer?
A decisão de ter um filho aqui é apenas o primeiro passo. A questão mais importante é: o que faz com que essas famílias fiquem? Os dados dão a resposta.
Segurança que é comprovada, não percebida
Florianópolis é a capital mais segura do Brasil, com taxa de 10,73 assassinatos a cada 100 mil habitantes, segundo o Anuário Cidades Mais Seguras do Brasil 2025, baseado em dados do IBGE e do Ministério da Saúde.
O Atlas de Segurança Pública 2024, divulgado pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, confirmou Florianópolis como a capital com menor taxa de homicídios do país, com 8,9 casos por 100 mil habitantes. Em Salvador, a pior colocada, essa taxa chega a 66,4. Florianópolis é ainda a única capital brasileira que não aparece no mapa de cidades que concentram metade dos homicídios do país.
Para uma família russa fugindo de um contexto de guerra, ou para qualquer família que priorize o ambiente em que seus filhos crescem, esse número não é abstrato. Ele representa a diferença entre uma criança que cresce com medo e uma que cresce com liberdade.
O IDH mais alto entre as regiões metropolitanas
Florianópolis lidera o ranking de IDH entre todas as regiões metropolitanas do Brasil, com índice de 0,815, à frente de São Paulo, segundo o Atlas do Desenvolvimento Humano elaborado pelo PNUD Brasil, Ipea e FJP.
O IDH municipal, o IDHM, consolida décadas de investimento em educação, saúde e renda. Com IDHM de 0,847, Florianópolis figura na terceira posição entre todos os municípios brasileiros, segundo o PNUD.
Para criar filhos, isso se traduz em acesso a escolas bem avaliadas, hospitais de referência e um mercado de trabalho diversificado que estará lá quando eles crescerem.
Uma economia que cresce mais rápido do que a percepção
A Florianópolis que as famílias russas encontraram nos anos 2010 já não existe mais. A cidade evoluiu para algo que poucos esperavam.
Reconhecida em 2024 como a Capital Nacional das Startups por lei federal, Florianópolis é a capital brasileira com maior representatividade da tecnologia no PIB municipal: 25% da economia local vem do setor de tecnologia, com faturamento de R$12 bilhões em 2023 e crescimento de 23,4% desde 2018. A cidade conta com aproximadamente 6.100 empresas de tecnologia, gerando 38.000 empregos diretos.
Uma criança que nasce hoje em Florianópolis vai crescer numa cidade onde o mercado de trabalho de alto valor está sendo construído ao seu redor. Isso é herança. É planejamento geracional.
Santa Catarina como novo polo migratório do Brasil
O movimento das famílias russas é parte de um fenômeno maior. Santa Catarina foi o estado que mais ganhou novos habitantes entre 2017 e 2022, com saldo migratório líquido de 354.350 pessoas, o equivalente a 4,66% da sua população total. No mesmo período, São Paulo e Rio de Janeiro tiveram saldos migratórios negativos.
Isso não é coincidência. É o resultado de décadas de construção de qualidade de vida, segurança e infraestrutura. Quando as pessoas têm liberdade de escolher onde viver, elas votam com os pés. E estão votando em Santa Catarina.
O que tudo isso tem a ver com imóveis?
Tudo.
Famílias que vêm de fora para ter filhos aqui precisam de um lugar para ficar. As que decidem permanecer precisam comprar. As que investem no futuro dos filhos buscam patrimonializar essa decisão em metros quadrados.
Quando uma cidade é escolhida por famílias do mundo inteiro como o lugar certo para começar uma vida, seu mercado imobiliário reflete isso. E o de Florianópolis reflete. Consistentemente, ano após ano.
A questão não é se Floripa é uma boa cidade para criar filhos. Os russos, os ucranianos, os argentinos e os brasileiros de outros estados já responderam isso.
A questão é: você vai esperar mais para tomar essa decisão?
Sou o Cristian Thume, corretor de imóveis em Florianópolis. Se você está pensando em trazer sua família para cá, ou em investir num mercado que famílias do mundo inteiro já descobriram, me chama. Vou te ajudar a entender onde e como.
@cristian.thume · CRECI/SC 74.589-F
Fontes: Deutsche Welle Brasil (reportagem sobre turismo de parto russo em Florianópolis, março 2023) · NSC Total (dados da Secretaria de Saúde de SC, 2023) · Henley Passport Index 2025 (Henley & Partners / IATA) · Atlas de Segurança Pública 2024 (Ipea + Fórum Brasileiro de Segurança Pública) · Anuário Cidades Mais Seguras do Brasil 2025 (MySide / IBGE / Ministério da Saúde) · Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil (PNUD, Ipea, FJP) · Rede de Inovação de Florianópolis / ACATE (dados econômicos 2025) · Censo Demográfico 2022 (IBGE)