Holding familiar e imóveis: o que muda com a Reforma Tributária e por que 2026 é o ano de agir
Existe uma janela aberta em 2026 que pode fechar nos próximos meses. Quem tem imóveis de alto padrão e ainda não organizou a estrutura patrimonial da família precisa entender o que está em jogo.
A Reforma Tributária aprovada no Brasil obriga que o ITCMD, o imposto sobre herança e doações, passe a ser progressivo em todo o país. Quanto maior o patrimônio, maior a alíquota. Em São Paulo, onde hoje a alíquota é fixa em 4%, projetos de lei já tramitam na Assembleia Legislativa para elevar o teto para até 8%. (Fonte: Gonçalves Contabilidade, 2026.)
Isso significa que o custo para transferir um imóvel de R$ 5 milhões para os filhos pode dobrar. Não no futuro distante. Nos próximos anos.
O que é uma holding familiar e para que serve
Uma holding familiar é uma pessoa jurídica criada para concentrar e administrar o patrimônio de uma família. Os imóveis são integralizados na empresa, e os sócios recebem cotas proporcionais ao valor de cada bem.
Na prática, isso muda como o patrimônio é administrado, como os rendimentos são tributados e, principalmente, como os bens são transferidos para os herdeiros.
As vantagens principais são proteção patrimonial, planejamento sucessório com redução de custos de inventário, organização da gestão dos bens e flexibilidade para estruturar a sucessão com doação em vida e reserva de usufruto.
O que a Reforma muda especificamente
A Reforma cria o Cadastro Imobiliário Brasileiro, com numeração única por imóvel reconhecida por cartórios, prefeituras, estados e União. Plataformas como Airbnb e QuintoAndar passarão a informar ao governo todas as operações realizadas. A informalidade no mercado imobiliário chegou ao fim. (Fonte: Ozai, 2025.)
Além disso, a Reforma introduz o modelo IVA Dual, com CBS e IBS, que amplia a tributação sobre operações imobiliárias e eleva a carga sobre pessoas físicas que gerenciam imóveis diretamente.
Para quem tem carteira de imóveis de alto padrão, a holding passa de opção interessante para ferramenta necessária de planejamento.
Por que 2026 especificamente
Quem constituir a holding familiar em 2026 e formalizar a doação das cotas com reserva de usufruto agora trava a alíquota atual do ITCMD antes que ela aumente. Essa economia pode ser expressiva em patrimônios acima de R$ 5 milhões.
A aplicação plena da Reforma acontece de forma gradual até 2033. Mas as mudanças de alíquota do ITCMD podem ocorrer antes disso, dependendo de cada estado. A janela existe agora. Não há garantia de quanto tempo ela permanece aberta.
O que esse tema tem a ver com a compra ou venda de um imóvel
Muito mais do que parece.
Quem está comprando um imóvel de alto padrão hoje precisa pensar desde o início em como esse ativo vai ser gerido e transferido no futuro. Comprar como pessoa física ou via pessoa jurídica, com ou sem planejamento sucessório, são decisões que têm impacto tributário relevante ao longo do tempo.
Quem está vendendo um imóvel que pertence a uma holding tem dinâmicas tributárias diferentes de quem vende como pessoa física. O ganho de capital pode ser calculado de forma diferente, e a distribuição do resultado entre os sócios tem regras específicas.
Essas são decisões que precisam ser tomadas antes da operação, não depois.
Uma observação importante
Este texto oferece uma visão geral sobre um tema que tem nuances significativas. Cada situação patrimonial é diferente. A decisão de constituir uma holding, integralizar imóveis e estruturar a sucessão exige análise específica com contador e advogado especializado em planejamento tributário e direito sucessório.
O que posso fazer é ajudar no contexto de uma compra ou venda de imóvel de alto padrão em Florianópolis. Se esse tema é relevante para o seu patrimônio, vale uma conversa.
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Cristian Thume — Corretor de Imóveis em Florianópolis · CRECI/SC 74.589-F
"O verdadeiro luxo é viver bem."