Ribeirão da Ilha e as ostras de Floripa

27 de maio de 2026

Existe uma relação que o mercado imobiliário raramente precifica corretamente: a relação entre identidade cultural de um lugar e o valor dos seus imóveis.

Todo mundo entende que vista para o mar valoriza. Que infraestrutura de qualidade valoriza. Mas poucos param para calcular o quanto vale morar num bairro com 275 anos de história, arquitetura tombada como patrimônio, a gastronomia mais premiada da ilha e a maior produção de ostras do Brasil.

O Ribeirão da Ilha tem tudo isso. E o mercado está começando a perceber.

De onde vieram as ostras de Floripa

A história começa antes das fazendas marinhas. Começa nos Açores.

Entre 1748 e 1756, houve a colonização efetiva da Ilha de Santa Catarina com o desembarque de cerca de seis mil açorianos e madeirenses. Cinquenta casais estabeleceram-se no Ribeirão da Ilha, trazendo tradições, costumes, arquitetura e uma relação profunda com o mar. (Fonte: LocalTour · 2025)

Durante dois séculos, a pesca artesanal sustentou as comunidades do sul da ilha. Mas a pesca extrativa entrou em declínio na segunda metade do século XX, e foi aí que surgiu algo novo.

A maricultura virou negócio no estado a partir de um trabalho de pesquisa na Universidade Federal de Santa Catarina. A primeira remessa de sementes chegou na Capital em 1983. O professor Carlos Rogério Poli trouxe a experiência de outros países com o cultivo de ostras. (Fonte: ND Mais · Out/2024)

O que começou como pesquisa acadêmica tornou-se, em quatro décadas, o maior polo de produção de ostras do Brasil e um dos maiores da América do Sul. Não por acaso: as águas frias e limpas do sul da ilha criam condições excepcionais para o cultivo. A natureza e a cultura se encontraram no lugar certo.

Os números que colocam Floripa num mapa diferente

A malacocultura brasileira alcançou 9,56 mil toneladas em 2024, um aumento expressivo de 21,7% em relação ao ano anterior, segundo dados da Pesquisa da Pecuária Municipal do IBGE. O crescimento ocorreu principalmente por conta de Santa Catarina, que sozinha responde por 91% da produção brasileira, com 8,7 mil toneladas e R$ 102 milhões em valor de produção. (Fonte: NSC Total · Set/2025)

Florianópolis é responsável por 97% de todas as ostras consumidas no Brasil. Com 292 produtores de moluscos, Florianópolis ocupa a primeira posição na produção, com 1.312 toneladas em 2023, seguida por Palhoça e São José. (Fonte: ND Mais · Dez/2024)

Com 589 produtores espalhados ao longo de 12 municípios costeiros, a atividade gera cerca de 1.500 empregos diretos no processo produtivo. Estima-se ainda o envolvimento de mais 5.000 postos de trabalho ao longo de toda a cadeia produtiva. (Fonte: Epagri · CNA)

É uma indústria inteira que nasceu da cultura açoriana, foi desenvolvida pela UFSC e sustenta milhares de famílias litorâneas, tudo concentrado na região do sul da ilha, com o Ribeirão da Ilha como epicentro.

Não à toa, as ostras de Florianópolis renderam à cidade o título de Cidade Criativa UNESCO da Gastronomia, e os produtores locais hoje buscam um selo de indicação geográfica para diferenciar o produto no mercado nacional e internacional. (Fonte: ND Mais · Dez/2024)

O Ribeirão da Ilha — o bairro que guarda tudo isso

O Ribeirão da Ilha não tem o mesmo nível de infraestrutura urbana de bairros mais centrais de Florianópolis. A distância do centro 22 km, cerca de 30 minutos de carro, é um fator que ainda influencia o perfil do comprador. Vale mencionar, porém, que o bairro fica a apenas 10 km do aeroporto Internacional Hercílio Luz, mais próximo dele do que do próprio centro da cidade. (Fonte: Guia Floripa · LocalTour)

A Igreja de Nossa Senhora da Lapa, construída em 1806 com pedra, cal e borra de óleo de baleia, é tombada como Patrimônio Histórico de Santa Catarina. O Ecomuseu do Ribeirão, criado em 1971 pelo pesquisador Nereu do Vale Pereira, preserva um engenho de farinha de mandioca em funcionamento, o modo de vida colonial e a biodiversidade nativa, incluindo a orquídea laelia purpurata, flor símbolo da ilha. (Fonte: Bom Gourmet)

Um dos trechos da Rodovia Baldicero Filomeno é conhecido como Caminho das Ostras e há cerca de vinte restaurantes e lojinhas de artesanato que funcionam nos históricos casários coloridos. (Fonte: Bom Gourmet)

Nessa rota estão o Ostradamus, o restaurante mais famoso do bairro, com fazenda marinha própria e sistema de depuração com tecnologia da UFSC , o Rancho Açoriano, o Muqueca da Ilha com mesas pé na areia, o Porto do Contrato instalado no antigo porto histórico, e o Nacanoa Oyster Bar, onde é possível fazer degustação na própria fazenda marinha. (Fonte: Café Viagem · Floripa.com)

A Rota das Ostras, quando gastronomia vira política pública de valorização

Em novembro de 2025, a ACIF Associação Empresarial de Florianópolis, lançou a Rota das Ostras, uma plataforma digital que integra gastronomia, cultura e natureza numa iniciativa formal de turismo de experiência.

A iniciativa articula empreendedores locais em torno de um circuito turístico-cultural que busca fortalecer a economia do bairro e ampliar o acesso a experiências autênticas ligadas à tradição açoriana. Santa Catarina responde por mais de 90% da produção nacional de ostras, sendo Florianópolis a cidade com maior volume de cultivo. O bairro do Ribeirão da Ilha desempenha papel central tanto na produção quanto na recepção de visitantes, o que reforça sua importância estratégica na cadeia produtiva e no turismo regional. (Fonte: Floripa.com · Nov/2025)

Quando uma atividade econômica local recebe estrutura formal de turismo com plataforma digital, rota mapeada, participação institucional, ela deixa de ser atrativo informal e passa a ser ativo permanente de geração de fluxo. Fluxo permanente de visitantes, ao longo de todo o ano, é exatamente o que sustenta o mercado de locação e mantece a demanda por imóveis aquecida independente da temporada.

O que isso tem a ver com o mercado imobiliário

Ribeirão da Ilha é um bairro histórico e culturalmente rico, famoso por suas praias tranquilas, arquitetura açoriana e uma culinária à base de frutos-do-mar, especialmente ostras. O bairro oferece uma experiência única de vida em um ambiente que combina história, cultura e beleza natural, tornando-se um local cada vez mais valorizado e procurado.

A conexão é mais direta do que parece. Bairros com identidade cultural forte e gastronomia de referência têm uma característica que bairros puramente residenciais não têm: demanda permanente de não moradores. Turistas, visitantes de fins de semana, pessoas que vêm de outras cidades especificamente para almoçar no Ostradamus ou jantar no Rancho Açoriano, esse fluxo sustenta o comércio local, mantém os serviços ativos durante todo o ano e cria uma ambiência viva que bairros dormitório jamais alcançam.

E ambiência viva é o que atrai o comprador de alto padrão que não quer apenas um imóvel. Quer um lugar onde a vida aconteça.

Além disso, o sul da ilha como um todo está no radar do mercado. Ribeirão da Ilha e Sul da Ilha atraem nômades digitais e famílias que buscam tranquilidade com a melhoria do acesso ao novo aeroporto consolidado.

A infraestrutura melhorou. O aeroporto consolidado reduziu o tempo de acesso. E o bairro, que durante décadas foi considerado distante demais do centro, ganhou novo patamar de acessibilidade sem perder nenhum centímetro do que o torna único.

O fenômeno da Fenaostra

Nenhum dado ilustra melhor o apelo do Ribeirão do que o evento que acontece todo ano ali: a Fenaostra, Festival Nacional da Ostra e da Cultura Açoriana. A 22ª edição da Fenaostra foi realizada com expectativa de comercializar 30 mil dúzias de ostras ao longo de seis dias, com expectativa de aumentar o faturamento em 20% em relação ao ano anterior. (Fonte: ND Mais · Dez/2024)

Um festival gastronômico com mais de 22 edições, que mobiliza produtores, restaurantes e visitantes de todo o Brasil, é um ativo cultural permanente, e permanente é o adjetivo que o mercado imobiliário mais valoriza.

Uma observação honesta

O Ribeirão da Ilha não tem o mesmo nível de infraestrutura urbana de bairros mais centrais de Florianópolis. A distância do centro ainda é um fator que limita o público. O bairro atrai um perfil muito específico de comprador: quem valoriza autenticidade, tranquilidade e qualidade de vida acima de conveniência urbana imediata.

Não é para todos. E é exatamente isso que o protege. Bairros que atraem todo mundo tendem a perder a identidade que os fez atraentes. O Ribeirão da Ilha preservou a sua por 275 anos e continua preservando.

Se você quer entender o que há disponível nessa região e se o perfil do bairro conversa com o que você está buscando, será um prazer conversar com você!

Cristian Thume — Corretor de Imóveis em Florianópolis CRECI/SC 74.589-F · @cristian.thume · cristianthume.com.br · WhatsApp: (48) 99154-5904

"O verdadeiro luxo é viver bem."

Fontes citadas: IBGE/PPM 2024 · NSC Total set/2025 · ND Mais dez/2024 · Epagri/CNA · Floripa.com nov/2025 · Café Viagem · LocalTour · Bom Gourmet.

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O bairro de Florianópolis que valorizou 118% em 2025

26 de maio de 2026

Existe um lugar em Florianópolis onde o sol se põe por trás das montanhas, reflete na Baía Norte, ilumina a silhueta da Ponte Hercílio Luz e pinta o horizonte de laranja enquanto você come uma ostra fresca com vinho branco num deck de madeira a dois metros do mar.

Esse lugar existe. Tem ruas de paralelepípedo, casarões coloniais coloridos em amarelo, vermelho e azul, uma igreja construída em 1750 ainda em funcionamento e a primeira rua calçada do estado de Santa Catarina. E fica a 20 minutos do centro de Florianópolis.

Chama-se Santo Antônio de Lisboa. E o mercado imobiliário ainda não cobrou esse preço todo por ele.

Um bairro que não cedeu ao tempo

Santo Antônio de Lisboa é um dos bairros mais antigos de Florianópolis, com a colonização iniciada por imigrantes açorianos no século 18, mais precisamente em 1748. O bairro foi oficialmente fundado em 1750 e recebeu esse nome em homenagem ao santo padroeiro da cidade de Lisboa, em Portugal. As raízes açorianas ainda pairam por ali através dos casarões históricos, igrejas e tradições culturais, como a gastronomia farta com pratos à base de frutos do mar, celebrações religiosas e o trabalho artesanal. (Fonte: Carpe Mundi · 2025)

O que torna Santo Antônio de Lisboa singular não é apenas a idade, é o fato de que ele atravessou quase três séculos sem perder a essência. Enquanto o norte da ilha se transformou completamente com os bairros de veraneio e os empreendimentos de alto padrão, o bairro histórico manteve seu casario, suas ruas estreitas, sua escala humana e sua atmosfera de vila de pescadores europeia transplantada para o trópico.

O bairro é extremamente histórico, com arquitetura açoriana e calçamento em pedra, sendo um dos três bairros mais antigos da ilha. Felizmente, ele manteve toda a sua história em cada cantinho do bairro, que hoje é visitado por quem busca uma boa gastronomia e uma arquitetura histórica.

Isso não é dado menor. Patrimônio histórico tombado e arquitetura preservada funcionam como proteção natural contra a descaracterização urbana, o mesmo fenômeno que torna Lisboa, Porto e San Telmo em Buenos Aires endereços de altíssimo valor imobiliário. A identidade do lugar não some quando o mercado aquece. Ela é o ativo.

A gastronomia que virou cartão-postal de Floripa

Santo Antônio de Lisboa não é apenas um bairro histórico. É um destino gastronômico consolidado e isso importa mais para o mercado imobiliário do que parece.

O estado de Santa Catarina é responsável por 98% da produção nacional de ostras, história que começou em Santo Antônio de Lisboa. O produtor Leonardo Costa, dono do Grupo Freguesia, possui a maior fazenda marinha da região. (Fonte: Café Viagem)

O bairro integra a Rota Gastronômica do Sol Poente, percurso que abrange Santo Antônio, Sambaqui e Cacupé, todos com restaurantes de frente para a Baía Norte, com decks de madeira, mesas na areia e vista para a Ponte Hercílio Luz. A gastronomia premiada inclui ostras frescas cultivadas localmente, arquitetura açoriana preservada e cheia de história.

Entre os restaurantes do bairro estão o Restaurante Rosso com menu mediterrâneo e cardápio de polvo que figura entre os melhores da cidade , o Marisqueira Sintra, referência em culinária portuguesa, o Fish and Co aberto em outubro de 2024, com assinatura de Emerson Kim e influências asiáticas sobre ingredientes locais, o Chão Batido, o Lisboa 48 e o Grupo Freguesia, com a maior fazenda marinha da região. (Fonte: Carpe Mundi · 2025)

Quando um bairro concentra restaurantes de referência e se torna destino gastronômico permanente, não sazonal, ele ganha algo que bairros de veraneio não têm: movimento o ano inteiro. Essa característica protege a demanda por moradia e locação independentemente da temporada.

O que os dados de 2025 estão revelando

Santo Antônio de Lisboa registrou variação de 118% no tíquete médio dos imóveis em 2025, liderando o ranking de valorização de Florianópolis. A área média dos imóveis anunciados passou de 103 m² para 178 m² alta de 73%. (Fonte: Loft · NSC Total · Jul/2025)

Para ter uma referência: Jurerê Internacional, que costuma liderar todos os rankings, registrou valorização de 50% no mesmo período para imóveis acima de 125m². Santo Antônio de Lisboa mais que dobrou. (Fonte: Loft Q4 2025)

E no mercado de locação, o dado é ainda mais expressivo. No bairro Santo Antônio de Lisboa, o aluguel disparou 144% entre janeiro e agosto de 2025, chegando a R$ 11.213 mensais de preço médio anunciado. Os três bairros que ocupam o topo do ranking têm em comum uma demanda estável, infraestrutura crescente e valorização contínua ao longo do tempo. "Santo Antônio de Lisboa combina charme histórico com residências de luxo, valorizadas", explica o gerente de dados da Loft, Fábio Takahashi. (Fonte: Loft · NSC Total · Set/2025)

O m² médio do bairro está em R$ 8.760, significativamente abaixo da Agronômica (R$ 14.119/m²), do Centro (R$ 13.948/m²) e de João Paulo (R$ 13.678/m²). Considerando o que o bairro oferece em termos de localização, patrimônio histórico, gastronomia e qualidade de vida, esse é um desconto que o próprio mercado está começando a corrigir. (Fonte: Loft · FipeZAP 2025)

Por que o desconto existe e por quanto tempo vai durar

Santo Antônio de Lisboa ficou historicamente fora do radar das construtoras por um motivo prático: é um bairro de casas, não de prédios. O gabarito baixo é parte da preservação histórica e isso limita a entrada de lançamentos verticais em grande escala, o tipo de produto que coloca um bairro nos rankings de forma mais rápida.

Esse mesmo fator que limitou a visibilidade do bairro é o que protege seu charme. Não haverá uma torre de 20 andares no meio das casinhas coloridas de paralelepípedo.

No caso de Santo Antônio de Lisboa, o aumento expressivo no preço do aluguel também está ligado à ampliação da área média dos imóveis ofertados, que passou de cerca de 34 m² para 206 m². (Fonte: Loft · NSC Total · Set/2025)

O que está acontecendo, portanto, é uma transição de perfil: o bairro, que historicamente tinha imóveis menores e mais simples voltados ao uso local, está atraindo um comprador diferente: famílias de alta renda em busca de casas amplas com identidade arquitetônica, vista para o mar e qualidade de vida que Jurerê e o Campeche não entregam da mesma forma.

É o comprador que não quer condomínio com portaria e academia. Quer calçamento de pedra, ostra fresca e pôr do sol às 18h.

O que o bairro oferece que poucos têm

Vista permanente para a Baía Norte e para a Ponte Hercílio Luz, ao contrário das praias da ilha, essa vista não é sazonal e não muda de ano para ano. Localização estratégica: a 18 km do Centro da cidade e 28 km do aeroporto, com acesso fácil pela Avenida Beira-Mar Norte e Rodovia José Carlos Daux. No caminho para Jurerê e Canasvieiras. Próximo de Cacupé, que registrou +17% de valorização em 2025. (Fonte: Loft Q4 2025)

Gastronomia premiada permanente, não sazonal. Patrimônio histórico tombado que funciona como barreira natural à descaracterização. Escala humana: o bairro tem cerca de 1.900 habitantes fixos, o que cria convívio, segurança e identidade de comunidade, algo que grandes condomínios não conseguem replicar.

E desde 1754, a Festa do Divino Espírito Santo mantém viva a tradição cultural açoriana, com celebrações que movimentam o bairro e reforçam a identidade que atrai o comprador de perfil cultural. (Fonte: Meus Roteiros de Viagem)

Uma observação honesta

A valorização de 118% no tíquete médio precisa ser lida com cuidado. Parte expressiva desse número é explicada pelo aumento da metragem média dos imóveis anunciados, de 103m² para 178m² e não apenas pelo aumento do m². O bairro não triplicou de preço do dia para a noite.

O que os dados mostram é uma mudança de perfil do produto que está sendo ofertado: imóveis maiores, de maior valor total, chegando ao mercado. Isso indica que proprietários e compradores de alto padrão estão olhando para Santo Antônio de Lisboa com seriedade, o que é diferente de afirmar que todo imóvel do bairro valoriza indiscriminadamente.

A oportunidade existe. Mas, como em qualquer mercado, depende do ativo específico, da localização dentro do bairro e do momento de entrada.

Se você quer entender o que há disponível em Santo Antônio de Lisboa agora, e se faz sentido dentro do que você está buscando, é o tipo de conversa que consigo ter com calma.


Cristian Thume — Corretor de Imóveis em Florianópolis CRECI/SC 74.589-F · @cristian.thume · cristianthume.com.br · WhatsApp: (48) 99154-5904

"O verdadeiro luxo é viver bem."

Fontes citadas: Loft Q4 2025 · NSC Total jul e set/2025 · Carpe Mundi · Floripa.com · FipeZAP 2025 · Meus Roteiros de Viagem · Café Viagem.

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O nômade digital chegou em Floripa. E está virando comprador de imóvel.

25 de maio de 2026

Existe um tipo de pessoa que o mercado imobiliário tradicional ainda não sabe bem como classificar. Ela não é turista fica meses, não dias. Não é morador permanente, pelo menos não no começo. Trabalha pelo computador, ganha em dólar ou euro, escolhe a cidade com a mesma metodologia que usaria para escolher uma startup para investir: avalia infraestrutura, comunidade, custo de vida, qualidade do ambiente.

Essa pessoa chegou em Florianópolis. E uma parte crescente dela está saindo daqui com as chaves de um imóvel na mão.

Os números que poucos conhecem

Florianópolis está cada vez mais consolidada como um dos principais destinos do mundo para quem escolheu o trabalho remoto como estilo de vida. De acordo com projeções apresentadas no Observatório Digital Nomads Florianópolis, a cidade pode receber entre 13 e 15 mil nômades digitais até 2030, com impacto econômico direto estimado em R$ 1,5 bilhão por ano. (Fonte: DashCity · Observatório Digital Nomads Florianópolis)

O levantamento mostra que, já em 2025, o número de profissionais remotos em Florianópolis deve alcançar 5.666, um crescimento de 224% em relação a 2018. A tendência acompanha os rankings globais: em 2023, a cidade foi considerada o segundo destino que mais cresceu no mundo em atração de nômades digitais nos últimos cinco anos, atrás apenas de Tirana, na Albânia. (Fonte: FloripAmanhã · Nomad List)

Para ter uma referência de escala: Florianópolis aparece à frente de Bali, Cidade do México e Lisboa nesse ranking. Não é um destino emergente. É um destino consolidado e ainda em aceleração.

Quem é esse profissional, de fato

O termo "nômade digital" carrega uma imagem romantizada: mochilão, café na praia, laptop sobre a rede. A realidade é outra.

O nômade digital pode ser um profissional liberal, um programador, designer, produtor de conteúdo ou executivo que decidiu trocar a sede do escritório por um cenário mais inspirador. Muitos estão sozinhos, outros viajam em casal ou com pets. Alguns desejam alugar por alguns meses; outros consideram comprar um imóvel como base para suas jornadas. (Fonte: CRECI-SC · Jun/2025)

O perfil dominante em Floripa, segundo o estudo da DashCity, é de profissionais de tecnologia, produto, marketing e design com permanência média próxima de um mês por estadia, mas com alta taxa de retorno. E com uma característica importante: forte arbitragem de custo de vida quando comparada a hubs como Lisboa ou Dubai. (Fonte: SC Inova · Set/2025)

Isso significa que esse profissional, que recebe em moeda forte e gasta em reais, encontra em Floripa uma cidade de padrão internacional a um custo que, para ele, é baixo. E quando alguém percebe que pode viver bem, com internet de qualidade, praia a 20 minutos e gastronomia de alto nível, por uma fração do que pagaria em Lisboa ou Miami, a pergunta natural que surge é: por que continuar alugando?

O visto que abriu a torneira internacional

Em janeiro de 2022, o Brasil regulamentou o VITEM XIV, o visto temporário para nômades digitais. O visto temporário VITEM XIV é concedido ao imigrante cuja atividade profissional pode ser realizada de forma remota. O prazo de residência inicial é de até um ano, renovável por igual período. Para obtê-lo, o profissional precisa comprovar renda mínima de US$ 1.500 por mês ou reservas de US$ 18.000. (Fonte: Ministério das Relações Exteriores · Portaria nº 428/2022)

Esse critério de renda não é baixo. Significa que o estrangeiro que chega a Floripa com esse visto tem poder de compra real, não é turista de mochila. São americanos, alemães, ingleses, franceses e suíços, entre as nacionalidades mais presentes.

Florianópolis se destaca por oferecer não apenas um ambiente propício ao trabalho remoto, mas também acomodação de luxo, com preços muito mais acessíveis em comparação a outros destinos globais. (Fonte: Luxury Home Floripa)

Essa equação padrão alto, custo comparativamente baixo, é o que transforma o visitante de médio prazo em comprador de imóvel.

De inquilino a proprietário: como acontece na prática

Um estudante de medicina, um publicitário jovem com mais de 200 mil seguidores, um estrangeiro de origem chinesa que ficou seis meses, e um brasileiro residente nos EUA que ficou na Grande Florianópolis enquanto construía casa na serra catarinense. São perfis reais documentados em empreendimentos da região que recebem esse público. (Fonte: Gazeta do Povo · Dez/2025)

O padrão é recorrente: a pessoa chega para alugar por 30, 60, 90 dias. Gosta da cidade. Volta. Na segunda ou terceira estadia, começa a fazer as contas. Percebe que o aluguel mensal que paga num apartamento mobiliado de qualidade em Floripa é menor do que pagaria numa cidade europeia ou norte-americana equivalente. E que, com o câmbio favorável, comprar um imóvel aqui representa uma fração do que custaria em seu país de origem.

O que esse público procura e o que o mercado está entregando

O nômade digital tem uma lista de critérios muito específica na escolha do imóvel. Não é a lista do comprador tradicional.

Internet de alta velocidade não é opcional, é pré-requisito. Espaço para trabalhar dentro do apartamento, sem precisar ir a coworking todo dia. Localização que reduza deslocamentos. Proximidade com opções gastronômicas, academia, natureza. E flexibilidade: imóvel mobiliado, pronto para usar, sem burocracia de montar casa.

Esses novos moradores buscam ambientes que unem tecnologia, segurança, natureza e mobilidade, elementos que fazem de Florianópolis um exemplo de cidade moderna, sustentável e global. (Fonte: Beco Castelo · Out/2025)

Não por coincidência, os empreendimentos mais recentes de Florianópolis, estão sendo desenhados com esse perfil em mente: workpods privativos dentro do condomínio, unidades entregues mobiliadas e decoradas, áreas comuns com coworking, internet de alta velocidade como infraestrutura básica do prédio. O mercado percebeu quem está chegando, e está adaptando o produto.

O que isso significa para o investidor

Existe aqui uma oportunidade de dupla leitura.

Para quem compra para morar: o nômade digital que decide fixar raízes em Floripa é um comprador de perfil diferente, com renda em moeda forte, poder de compra real e disposição a pagar por qualidade. Isso sustenta o patamar de preços em bairros como Campeche, Lagoa da Conceição, Ribeirão da Ilha e Sul da Ilha, regiões que esse público valoriza pela combinação de natureza, tranquilidade e infraestrutura.

Para quem compra para investir: o nômade digital é o locatário ideal do short stay de médio prazo, fica mais do que o turista de verão, paga mais do que o inquilino anual e tende a cuidar bem do imóvel. Um apartamento mobiliado de 50 a 80m² bem localizado, com internet rápida e espaço para trabalhar, tem demanda crescente e praticamente perene nesse perfil de cidade.

Estima-se que mais de 5.600 profissionais remotos vivam hoje na cidade, número que pode ultrapassar 15 mil até 2030, com um impacto econômico positivo de R$ 1,5 bilhão anual. (Fonte: Beco Castelo · Out/2025)

Quinze mil nômades digitais com renda em moeda estrangeira morando em Floripa não é uma projeção distante. É uma tendência em curso e a demanda que ela gera por imóvel já é real.

Uma observação honesta

Nômade digital não é sinônimo de comprador garantido. Parte significativa desse público prefere a flexibilidade do aluguel exatamente porque o modo de vida deles depende dela. E o câmbio, que hoje favorece quem ganha em moeda forte, pode mudar.

O que o dado demonstra é que existe uma demanda estrutural nova em Florianópolis, de um perfil de pessoa que o mercado imobiliário local não conhecia há dez anos. Entender quem é esse comprador, o que ele valoriza e onde ele quer estar é parte do trabalho de quem acompanha esse mercado de perto.

Se você está avaliando um imóvel em Floripa para morar, investir ou locar e quer entender como esse cenário se aplica ao que você está considerando, posso ajudar a pensar com calma.

Cristian Thume — Corretor de Imóveis em Florianópolis CRECI/SC 74.589-F · @cristian.thume · cristianthume.com.br · WhatsApp: (48) 99154-5904

"O verdadeiro luxo é viver bem."

Fontes citadas: Observatório Digital Nomads Florianópolis · DashCity · Nomad List · FloripAmanhã · CRECI-SC · Ministério das Relações Exteriores · Beco Castelo · Gazeta do Povo · Luxury Home Floripa ·

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