VGV +367% em um semestre: o que esse número diz sobre Florianópolis e o que ele não diz

28 de maio de 2026

Quando um número chega com três dígitos e um sinal de mais na frente, ele faz duas coisas ao mesmo tempo: impressiona e desafia. Impressiona quem não questiona. Desafia quem sabe o que perguntar antes de acreditar.

O dado é real. No primeiro semestre de 2025, o Valor Geral de Vendas dos lançamentos em Florianópolis subiu 367%, consolidando a cidade como a principal referência nacional em novos empreendimentos entre as 12 capitais analisadas pela ABRAINC com base no GeoBrain. (Fonte: ABRAINC · GeoBrain · Agora Floripa · Out/2025)

Mas um número sozinho não é análise. É ponto de partida.

Primeiro: o que é VGV e por que importa

VGV: Valor Geral de Vendas, é a soma do valor potencial de todos os imóveis lançados num período, se todos fossem vendidos pelo preço de tabela. É o termômetro que o mercado usa para medir o volume financeiro de novos empreendimentos.

Não é faturamento realizado. Não é lucro. É o valor total na prateleira quando os empreendimentos chegam ao mercado. VGV alto significa que incorporadoras estão confiantes o suficiente para lançar produtos caros em volume relevante, e que há demanda suficiente para absorvê-los.

O crescimento de 367% no VGV de lançamentos não significa que Floripa faturou 4,67 vezes mais do que no primeiro semestre de 2024. Significa que o valor total dos empreendimentos colocados no mercado cresceu nessa proporção. É uma métrica de oferta qualificada, não de venda consumada.

O que o número realmente diz

Entre as capitais analisadas, Florianópolis registrou o maior salto no país, com variação positiva de 367% no VGV de lançamentos. Em relação às vendas, também se destacou com crescimento de 170% no VGV. E em número de unidades lançadas, a capital catarinense também liderou, com alta de 191%, além de registrar crescimento de 151% nas unidades vendidas. (Fonte: CRECI-SC · Agora Floripa · Out/2025)

Aqui está o dado que valida o número de VGV: as unidades vendidas cresceram 151% no mesmo período. Isso significa que o mercado não apenas lançou mais, comprou mais. Demanda e oferta se moveram juntas. Isso é diferente de um mercado onde só a incorporadora está otimista.

No primeiro trimestre de 2025 especificamente, foram 1.942 imóveis vendidos em Florianópolis, um salto de 97% em relação ao mesmo período de 2024. O VGV da capital atingiu R$ 1,6 bilhão no trimestre, crescimento de 67,2% na comparação anual, segundo dados do CRECI-SC. Nos lançamentos, 1.637 novas unidades chegaram ao mercado, representando alta de 36,3%. (Fonte: CRECI-SC · Modulare Empreendimentos · Ago/2025)

Isso, sim, é crescimento real: quase dois mil imóveis vendidos num único trimestre, com VGV de R$ 1,6 bilhão. São transações fechadas, não potencial.

O que o número não diz e precisa ser dito

Um crescimento de 367% em qualquer métrica exige uma pergunta obrigatória: comparado a quê?

O primeiro semestre de 2024 foi um período de retração relativa nos lançamentos de Florianópolis. A combinação de Selic elevada, crédito mais caro e cautela das incorporadoras resultou em volume de lançamentos abaixo da tendência histórica da cidade. Quando a base de comparação é baixa, qualquer recuperação gera percentuais que impressionam.

Isso não invalida o crescimento. Mas significa que 367% compara 2025 com um piso atipicamente baixo de 2024, não com a trajetória média histórica. Se a comparação fosse feita com 2022 ou 2023, o número seria menor. Ainda positivo, mas menor.

É a diferença entre "o mercado explodiu" e "o mercado se recuperou com força e acelerou além da recuperação." A segunda leitura é mais precisa e mais útil para quem toma decisão com base no dado.

O que sustenta o crescimento por baixo dos números

O que torna o crescimento de Floripa consistente, independente do efeito de base, são os fundamentos que não mudam de semestre para semestre.

O PIB de Santa Catarina cresceu 6,9% nos 12 meses encerrados em março de 2025, liderando o ranking nacional e quase dobrando a média brasileira de 3,5%. O estado mantém a menor taxa de desemprego do país, de 3%, e criou 74 mil empregos formais nos primeiros quatro meses de 2025. (Fonte: Modulare Empreendimentos · Ago/2025)

O crescimento do número de lançamentos é sustentado pelo otimismo apoiado no crescimento da população entre 35 e 40 anos e pelo encarecimento dos aluguéis, que subiram 63% nos últimos cinco anos, mais que o dobro da inflação oficial de 33% no período. Pesquisa da Brain Inteligência Estratégica aponta que 49% dos brasileiros pretendem adquirir imóvel nos próximos 24 meses, maior índice desde 2020. (Fonte: ABRAINC · Brain Inteligência Estratégica · Portas · Out/2025)

Aluguel subindo 63% em cinco anos enquanto a inflação acumulou 33% cria uma pressão estrutural de compra: para uma fatia crescente da população, pagar financiamento começa a fazer mais sentido econômico do que continuar alugando. Isso não é fenômeno de Floripa, é nacional. Mas Floripa combina essa pressão com uma cidade que as pessoas querem morar, o que amplifica o efeito.

O alto padrão como motor do VGV

Existe uma especificidade no crescimento do VGV de Floripa que qualquer análise séria precisa mencionar: boa parte da expansão em valor veio do segmento de alto padrão, que tem ticket médio muito mais alto do que o mercado geral.

A região Sul reforçou em 2025 a tese de que o luxo concentra valor mesmo com participação limitada em volume. Os lançamentos cresceram de 701 para 1.244 unidades, enquanto o VGV lançado avançou de R$ 2,67 bilhões para R$ 5,38 bilhões, mais que dobrando em termos financeiros. O principal motor desse avanço foi Florianópolis, que registrou forte expansão nos lançamentos e consolidou o metro quadrado mais caro do Sul. (Fonte: Brain Inteligência Estratégica · Forbes Brasil · Dez/2025)

Traduzindo: o VGV cresce muito mais rápido do que o número de unidades porque os imóveis lançados são mais caros. Um empreendimento de R$ 5 milhões por unidade pesa muito mais no VGV do que dez apartamentos de R$ 500 mil cada. Quando Floripa lança empreendimentos como o Oceana Jurerê, com VGV de R$ 1 bilhão num único complexo, isso move o ponteiro do VGV de forma desproporcional ao volume físico.

Isso não é problema. É característica. Mas é importante entender: VGV alto em Floripa reflete, em parte, a ascensão do ticket médio, não apenas o volume de lançamentos.

O que o investidor deve fazer com esse dado

Um crescimento de 367% no VGV de lançamentos em Floripa em um semestre diz, com clareza, três coisas:

Primeiro, as incorporadoras estão confiantes. Empresas que lançam produto estão apostando dinheiro real na demanda futura. Quando esse volume cresce 191% em unidades e 367% em valor, é porque o setor enxerga absorção.

Segundo, o mercado está comprando. VGV de vendas cresceu 170% no mesmo período. A demanda respondeu à oferta, o que distingue crescimento real de exuberância.

Terceiro, os fundamentos são sólidos mas os números percentuais devem ser lidos com cautela. Crescimento de três dígitos numa comparação anual, especialmente quando a base do ano anterior foi baixa, é normal em mercados em retomada. O dado impressiona mas o argumento de compra não precisa dele para ser forte. Floripa tem fundamentos suficientes para se sustentar sem precisar de percentuais inflacionados pela base de comparação.

Uma observação honesta

Mercados aquecidos criam otimismo e otimismo excessivo cria bolhas. Florianópolis tem características estruturais que protegem contra bolha: escassez geográfica real, demanda diversificada, economia local robusta e qualidade de vida difícil de replicar. Mas nenhum mercado é imune a ciclos.

Consistente e sustentável é o adjetivo que importa. Não 367%.

O número é a manchete. Os fundamentos são a história. E a história de Floripa em 2025 é mais sólida do que qualquer manchete consegue resumir.

Se você quer entender o que está por baixo dos números e como eles se aplicam ao que está avaliando, ser[a um prazer conversar com você.

Cristian Thume — Corretor de Imóveis em Florianópolis CRECI/SC 74.589-F · @cristian.thume · cristianthume.com.br · WhatsApp: (48) 99154-5904

"O verdadeiro luxo é viver bem."

Fontes citadas: ABRAINC · GeoBrain · Agora Floripa · CRECI-SC · Brain Inteligência Estratégica · Forbes Brasil · Portas · Modulare Empreendimentos

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Ribeirão da Ilha e as ostras de Floripa

27 de maio de 2026

Existe uma relação que o mercado imobiliário raramente precifica corretamente: a relação entre identidade cultural de um lugar e o valor dos seus imóveis.

Todo mundo entende que vista para o mar valoriza. Que infraestrutura de qualidade valoriza. Mas poucos param para calcular o quanto vale morar num bairro com 275 anos de história, arquitetura tombada como patrimônio, a gastronomia mais premiada da ilha e a maior produção de ostras do Brasil.

O Ribeirão da Ilha tem tudo isso. E o mercado está começando a perceber.

De onde vieram as ostras de Floripa

A história começa antes das fazendas marinhas. Começa nos Açores.

Entre 1748 e 1756, houve a colonização efetiva da Ilha de Santa Catarina com o desembarque de cerca de seis mil açorianos e madeirenses. Cinquenta casais estabeleceram-se no Ribeirão da Ilha, trazendo tradições, costumes, arquitetura e uma relação profunda com o mar. (Fonte: LocalTour · 2025)

Durante dois séculos, a pesca artesanal sustentou as comunidades do sul da ilha. Mas a pesca extrativa entrou em declínio na segunda metade do século XX, e foi aí que surgiu algo novo.

A maricultura virou negócio no estado a partir de um trabalho de pesquisa na Universidade Federal de Santa Catarina. A primeira remessa de sementes chegou na Capital em 1983. O professor Carlos Rogério Poli trouxe a experiência de outros países com o cultivo de ostras. (Fonte: ND Mais · Out/2024)

O que começou como pesquisa acadêmica tornou-se, em quatro décadas, o maior polo de produção de ostras do Brasil e um dos maiores da América do Sul. Não por acaso: as águas frias e limpas do sul da ilha criam condições excepcionais para o cultivo. A natureza e a cultura se encontraram no lugar certo.

Os números que colocam Floripa num mapa diferente

A malacocultura brasileira alcançou 9,56 mil toneladas em 2024, um aumento expressivo de 21,7% em relação ao ano anterior, segundo dados da Pesquisa da Pecuária Municipal do IBGE. O crescimento ocorreu principalmente por conta de Santa Catarina, que sozinha responde por 91% da produção brasileira, com 8,7 mil toneladas e R$ 102 milhões em valor de produção. (Fonte: NSC Total · Set/2025)

Florianópolis é responsável por 97% de todas as ostras consumidas no Brasil. Com 292 produtores de moluscos, Florianópolis ocupa a primeira posição na produção, com 1.312 toneladas em 2023, seguida por Palhoça e São José. (Fonte: ND Mais · Dez/2024)

Com 589 produtores espalhados ao longo de 12 municípios costeiros, a atividade gera cerca de 1.500 empregos diretos no processo produtivo. Estima-se ainda o envolvimento de mais 5.000 postos de trabalho ao longo de toda a cadeia produtiva. (Fonte: Epagri · CNA)

É uma indústria inteira que nasceu da cultura açoriana, foi desenvolvida pela UFSC e sustenta milhares de famílias litorâneas, tudo concentrado na região do sul da ilha, com o Ribeirão da Ilha como epicentro.

Não à toa, as ostras de Florianópolis renderam à cidade o título de Cidade Criativa UNESCO da Gastronomia, e os produtores locais hoje buscam um selo de indicação geográfica para diferenciar o produto no mercado nacional e internacional. (Fonte: ND Mais · Dez/2024)

O Ribeirão da Ilha — o bairro que guarda tudo isso

O Ribeirão da Ilha não tem o mesmo nível de infraestrutura urbana de bairros mais centrais de Florianópolis. A distância do centro 22 km, cerca de 30 minutos de carro, é um fator que ainda influencia o perfil do comprador. Vale mencionar, porém, que o bairro fica a apenas 10 km do aeroporto Internacional Hercílio Luz, mais próximo dele do que do próprio centro da cidade. (Fonte: Guia Floripa · LocalTour)

A Igreja de Nossa Senhora da Lapa, construída em 1806 com pedra, cal e borra de óleo de baleia, é tombada como Patrimônio Histórico de Santa Catarina. O Ecomuseu do Ribeirão, criado em 1971 pelo pesquisador Nereu do Vale Pereira, preserva um engenho de farinha de mandioca em funcionamento, o modo de vida colonial e a biodiversidade nativa, incluindo a orquídea laelia purpurata, flor símbolo da ilha. (Fonte: Bom Gourmet)

Um dos trechos da Rodovia Baldicero Filomeno é conhecido como Caminho das Ostras e há cerca de vinte restaurantes e lojinhas de artesanato que funcionam nos históricos casários coloridos. (Fonte: Bom Gourmet)

Nessa rota estão o Ostradamus, o restaurante mais famoso do bairro, com fazenda marinha própria e sistema de depuração com tecnologia da UFSC , o Rancho Açoriano, o Muqueca da Ilha com mesas pé na areia, o Porto do Contrato instalado no antigo porto histórico, e o Nacanoa Oyster Bar, onde é possível fazer degustação na própria fazenda marinha. (Fonte: Café Viagem · Floripa.com)

A Rota das Ostras, quando gastronomia vira política pública de valorização

Em novembro de 2025, a ACIF Associação Empresarial de Florianópolis, lançou a Rota das Ostras, uma plataforma digital que integra gastronomia, cultura e natureza numa iniciativa formal de turismo de experiência.

A iniciativa articula empreendedores locais em torno de um circuito turístico-cultural que busca fortalecer a economia do bairro e ampliar o acesso a experiências autênticas ligadas à tradição açoriana. Santa Catarina responde por mais de 90% da produção nacional de ostras, sendo Florianópolis a cidade com maior volume de cultivo. O bairro do Ribeirão da Ilha desempenha papel central tanto na produção quanto na recepção de visitantes, o que reforça sua importância estratégica na cadeia produtiva e no turismo regional. (Fonte: Floripa.com · Nov/2025)

Quando uma atividade econômica local recebe estrutura formal de turismo com plataforma digital, rota mapeada, participação institucional, ela deixa de ser atrativo informal e passa a ser ativo permanente de geração de fluxo. Fluxo permanente de visitantes, ao longo de todo o ano, é exatamente o que sustenta o mercado de locação e mantece a demanda por imóveis aquecida independente da temporada.

O que isso tem a ver com o mercado imobiliário

Ribeirão da Ilha é um bairro histórico e culturalmente rico, famoso por suas praias tranquilas, arquitetura açoriana e uma culinária à base de frutos-do-mar, especialmente ostras. O bairro oferece uma experiência única de vida em um ambiente que combina história, cultura e beleza natural, tornando-se um local cada vez mais valorizado e procurado.

A conexão é mais direta do que parece. Bairros com identidade cultural forte e gastronomia de referência têm uma característica que bairros puramente residenciais não têm: demanda permanente de não moradores. Turistas, visitantes de fins de semana, pessoas que vêm de outras cidades especificamente para almoçar no Ostradamus ou jantar no Rancho Açoriano, esse fluxo sustenta o comércio local, mantém os serviços ativos durante todo o ano e cria uma ambiência viva que bairros dormitório jamais alcançam.

E ambiência viva é o que atrai o comprador de alto padrão que não quer apenas um imóvel. Quer um lugar onde a vida aconteça.

Além disso, o sul da ilha como um todo está no radar do mercado. Ribeirão da Ilha e Sul da Ilha atraem nômades digitais e famílias que buscam tranquilidade com a melhoria do acesso ao novo aeroporto consolidado.

A infraestrutura melhorou. O aeroporto consolidado reduziu o tempo de acesso. E o bairro, que durante décadas foi considerado distante demais do centro, ganhou novo patamar de acessibilidade sem perder nenhum centímetro do que o torna único.

O fenômeno da Fenaostra

Nenhum dado ilustra melhor o apelo do Ribeirão do que o evento que acontece todo ano ali: a Fenaostra, Festival Nacional da Ostra e da Cultura Açoriana. A 22ª edição da Fenaostra foi realizada com expectativa de comercializar 30 mil dúzias de ostras ao longo de seis dias, com expectativa de aumentar o faturamento em 20% em relação ao ano anterior. (Fonte: ND Mais · Dez/2024)

Um festival gastronômico com mais de 22 edições, que mobiliza produtores, restaurantes e visitantes de todo o Brasil, é um ativo cultural permanente, e permanente é o adjetivo que o mercado imobiliário mais valoriza.

Uma observação honesta

O Ribeirão da Ilha não tem o mesmo nível de infraestrutura urbana de bairros mais centrais de Florianópolis. A distância do centro ainda é um fator que limita o público. O bairro atrai um perfil muito específico de comprador: quem valoriza autenticidade, tranquilidade e qualidade de vida acima de conveniência urbana imediata.

Não é para todos. E é exatamente isso que o protege. Bairros que atraem todo mundo tendem a perder a identidade que os fez atraentes. O Ribeirão da Ilha preservou a sua por 275 anos e continua preservando.

Se você quer entender o que há disponível nessa região e se o perfil do bairro conversa com o que você está buscando, será um prazer conversar com você!

Cristian Thume — Corretor de Imóveis em Florianópolis CRECI/SC 74.589-F · @cristian.thume · cristianthume.com.br · WhatsApp: (48) 99154-5904

"O verdadeiro luxo é viver bem."

Fontes citadas: IBGE/PPM 2024 · NSC Total set/2025 · ND Mais dez/2024 · Epagri/CNA · Floripa.com nov/2025 · Café Viagem · LocalTour · Bom Gourmet.

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O bairro de Florianópolis que valorizou 118% em 2025

26 de maio de 2026

Existe um lugar em Florianópolis onde o sol se põe por trás das montanhas, reflete na Baía Norte, ilumina a silhueta da Ponte Hercílio Luz e pinta o horizonte de laranja enquanto você come uma ostra fresca com vinho branco num deck de madeira a dois metros do mar.

Esse lugar existe. Tem ruas de paralelepípedo, casarões coloniais coloridos em amarelo, vermelho e azul, uma igreja construída em 1750 ainda em funcionamento e a primeira rua calçada do estado de Santa Catarina. E fica a 20 minutos do centro de Florianópolis.

Chama-se Santo Antônio de Lisboa. E o mercado imobiliário ainda não cobrou esse preço todo por ele.

Um bairro que não cedeu ao tempo

Santo Antônio de Lisboa é um dos bairros mais antigos de Florianópolis, com a colonização iniciada por imigrantes açorianos no século 18, mais precisamente em 1748. O bairro foi oficialmente fundado em 1750 e recebeu esse nome em homenagem ao santo padroeiro da cidade de Lisboa, em Portugal. As raízes açorianas ainda pairam por ali através dos casarões históricos, igrejas e tradições culturais, como a gastronomia farta com pratos à base de frutos do mar, celebrações religiosas e o trabalho artesanal. (Fonte: Carpe Mundi · 2025)

O que torna Santo Antônio de Lisboa singular não é apenas a idade, é o fato de que ele atravessou quase três séculos sem perder a essência. Enquanto o norte da ilha se transformou completamente com os bairros de veraneio e os empreendimentos de alto padrão, o bairro histórico manteve seu casario, suas ruas estreitas, sua escala humana e sua atmosfera de vila de pescadores europeia transplantada para o trópico.

O bairro é extremamente histórico, com arquitetura açoriana e calçamento em pedra, sendo um dos três bairros mais antigos da ilha. Felizmente, ele manteve toda a sua história em cada cantinho do bairro, que hoje é visitado por quem busca uma boa gastronomia e uma arquitetura histórica.

Isso não é dado menor. Patrimônio histórico tombado e arquitetura preservada funcionam como proteção natural contra a descaracterização urbana, o mesmo fenômeno que torna Lisboa, Porto e San Telmo em Buenos Aires endereços de altíssimo valor imobiliário. A identidade do lugar não some quando o mercado aquece. Ela é o ativo.

A gastronomia que virou cartão-postal de Floripa

Santo Antônio de Lisboa não é apenas um bairro histórico. É um destino gastronômico consolidado e isso importa mais para o mercado imobiliário do que parece.

O estado de Santa Catarina é responsável por 98% da produção nacional de ostras, história que começou em Santo Antônio de Lisboa. O produtor Leonardo Costa, dono do Grupo Freguesia, possui a maior fazenda marinha da região. (Fonte: Café Viagem)

O bairro integra a Rota Gastronômica do Sol Poente, percurso que abrange Santo Antônio, Sambaqui e Cacupé, todos com restaurantes de frente para a Baía Norte, com decks de madeira, mesas na areia e vista para a Ponte Hercílio Luz. A gastronomia premiada inclui ostras frescas cultivadas localmente, arquitetura açoriana preservada e cheia de história.

Entre os restaurantes do bairro estão o Restaurante Rosso com menu mediterrâneo e cardápio de polvo que figura entre os melhores da cidade , o Marisqueira Sintra, referência em culinária portuguesa, o Fish and Co aberto em outubro de 2024, com assinatura de Emerson Kim e influências asiáticas sobre ingredientes locais, o Chão Batido, o Lisboa 48 e o Grupo Freguesia, com a maior fazenda marinha da região. (Fonte: Carpe Mundi · 2025)

Quando um bairro concentra restaurantes de referência e se torna destino gastronômico permanente, não sazonal, ele ganha algo que bairros de veraneio não têm: movimento o ano inteiro. Essa característica protege a demanda por moradia e locação independentemente da temporada.

O que os dados de 2025 estão revelando

Santo Antônio de Lisboa registrou variação de 118% no tíquete médio dos imóveis em 2025, liderando o ranking de valorização de Florianópolis. A área média dos imóveis anunciados passou de 103 m² para 178 m² alta de 73%. (Fonte: Loft · NSC Total · Jul/2025)

Para ter uma referência: Jurerê Internacional, que costuma liderar todos os rankings, registrou valorização de 50% no mesmo período para imóveis acima de 125m². Santo Antônio de Lisboa mais que dobrou. (Fonte: Loft Q4 2025)

E no mercado de locação, o dado é ainda mais expressivo. No bairro Santo Antônio de Lisboa, o aluguel disparou 144% entre janeiro e agosto de 2025, chegando a R$ 11.213 mensais de preço médio anunciado. Os três bairros que ocupam o topo do ranking têm em comum uma demanda estável, infraestrutura crescente e valorização contínua ao longo do tempo. "Santo Antônio de Lisboa combina charme histórico com residências de luxo, valorizadas", explica o gerente de dados da Loft, Fábio Takahashi. (Fonte: Loft · NSC Total · Set/2025)

O m² médio do bairro está em R$ 8.760, significativamente abaixo da Agronômica (R$ 14.119/m²), do Centro (R$ 13.948/m²) e de João Paulo (R$ 13.678/m²). Considerando o que o bairro oferece em termos de localização, patrimônio histórico, gastronomia e qualidade de vida, esse é um desconto que o próprio mercado está começando a corrigir. (Fonte: Loft · FipeZAP 2025)

Por que o desconto existe e por quanto tempo vai durar

Santo Antônio de Lisboa ficou historicamente fora do radar das construtoras por um motivo prático: é um bairro de casas, não de prédios. O gabarito baixo é parte da preservação histórica e isso limita a entrada de lançamentos verticais em grande escala, o tipo de produto que coloca um bairro nos rankings de forma mais rápida.

Esse mesmo fator que limitou a visibilidade do bairro é o que protege seu charme. Não haverá uma torre de 20 andares no meio das casinhas coloridas de paralelepípedo.

No caso de Santo Antônio de Lisboa, o aumento expressivo no preço do aluguel também está ligado à ampliação da área média dos imóveis ofertados, que passou de cerca de 34 m² para 206 m². (Fonte: Loft · NSC Total · Set/2025)

O que está acontecendo, portanto, é uma transição de perfil: o bairro, que historicamente tinha imóveis menores e mais simples voltados ao uso local, está atraindo um comprador diferente: famílias de alta renda em busca de casas amplas com identidade arquitetônica, vista para o mar e qualidade de vida que Jurerê e o Campeche não entregam da mesma forma.

É o comprador que não quer condomínio com portaria e academia. Quer calçamento de pedra, ostra fresca e pôr do sol às 18h.

O que o bairro oferece que poucos têm

Vista permanente para a Baía Norte e para a Ponte Hercílio Luz, ao contrário das praias da ilha, essa vista não é sazonal e não muda de ano para ano. Localização estratégica: a 18 km do Centro da cidade e 28 km do aeroporto, com acesso fácil pela Avenida Beira-Mar Norte e Rodovia José Carlos Daux. No caminho para Jurerê e Canasvieiras. Próximo de Cacupé, que registrou +17% de valorização em 2025. (Fonte: Loft Q4 2025)

Gastronomia premiada permanente, não sazonal. Patrimônio histórico tombado que funciona como barreira natural à descaracterização. Escala humana: o bairro tem cerca de 1.900 habitantes fixos, o que cria convívio, segurança e identidade de comunidade, algo que grandes condomínios não conseguem replicar.

E desde 1754, a Festa do Divino Espírito Santo mantém viva a tradição cultural açoriana, com celebrações que movimentam o bairro e reforçam a identidade que atrai o comprador de perfil cultural. (Fonte: Meus Roteiros de Viagem)

Uma observação honesta

A valorização de 118% no tíquete médio precisa ser lida com cuidado. Parte expressiva desse número é explicada pelo aumento da metragem média dos imóveis anunciados, de 103m² para 178m² e não apenas pelo aumento do m². O bairro não triplicou de preço do dia para a noite.

O que os dados mostram é uma mudança de perfil do produto que está sendo ofertado: imóveis maiores, de maior valor total, chegando ao mercado. Isso indica que proprietários e compradores de alto padrão estão olhando para Santo Antônio de Lisboa com seriedade, o que é diferente de afirmar que todo imóvel do bairro valoriza indiscriminadamente.

A oportunidade existe. Mas, como em qualquer mercado, depende do ativo específico, da localização dentro do bairro e do momento de entrada.

Se você quer entender o que há disponível em Santo Antônio de Lisboa agora, e se faz sentido dentro do que você está buscando, é o tipo de conversa que consigo ter com calma.


Cristian Thume — Corretor de Imóveis em Florianópolis CRECI/SC 74.589-F · @cristian.thume · cristianthume.com.br · WhatsApp: (48) 99154-5904

"O verdadeiro luxo é viver bem."

Fontes citadas: Loft Q4 2025 · NSC Total jul e set/2025 · Carpe Mundi · Floripa.com · FipeZAP 2025 · Meus Roteiros de Viagem · Café Viagem.

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